E aqui começa o drama. Porque ninguém, mas mesmo ninguém, sabe o que é um micron. Pergunte-se ao vendedor de rua, à dona de casa, ao funcionário do mercado. A resposta é sempre a mesma: Isso é medida de quê? Se fosse micróbio, a resposta seria mais fácil. Não é metro, não é quilo, não é litro. É uma unidade de espessura que equivale a um milésimo de milímetro. Ou seja, 50 microns são 0,05 milímetros. Zero vírgula zero cinco. Uma espessura tão fina que, se fosse um cabelo, seria um cabelo de um bebé recém-nascido.

O cidadão comum, confrontado com esta nova realidade, faz o que sempre faz: encolhe os ombros e continua a pedir sacos no mercado. São grátis. E é aqui que a coisa se complica. Porque os sacos fininhos, aqueles que se rasgam ao primeiro embate com uma melancia, são precisamente os proibidos. Os que resistem, os mais grossos, esses ficam. Mas como distingue o vendedor de banana um saco de 50 microns de um de 30? A olho? Ao tacto? Com uma régua? É aqui que entram os produtores, os importadores, os industriais.

Depois há as palhinhas. As palhinhas de plástico, essas companheiras de todos os sumos de pacote, também entraram na lista negra. Sem palhinha, o cidadão vê-se obrigado a levar o copo à boca como um ser humano normal, sem intermediários. É uma revolução dos costumes, uma volta à simplicidade, uma reconexão com a bebida em estado puro. Haverá quem diga que é higiénico, haverá quem diga que é atraso. As soluções de palhinhas biodegradáveis vão ter de aparecer.

E os agitadores de bebidas? Esses palitos de plástico que servem para mexer o açúcar no café, para misturar o leite no chá, para dar uma agitadela no gin-tónico. Também foram banidos. Teremos de usar a colher. Essa relíquia esquecida nas gavetas, essa ferramenta ancestral que a modernidade tinha posto de lado. A colher volta à moda, não por opção, mas por decreto.

Mas o momento mais desafiador desta transição está na venda de alimentos na rua. Pense-se no óleo. Aquele óleo que se vende em saquinhos transparentes, pendurados em fios, a pingar lentamente o seu conteúdo dourado. O vendedor de óleo, esse herói anónimo da economia informal, vê-se agora confrontado com um dilema existencial: ou se adapta, fazendo recurso à criatividade característica do angolano ou muda de negócio.

No fundo, o PLANEPP quer-nos bem. Quer um país mais limpo, menos poluído, com rios que não sejam cemitérios de plástico e oceanos que não sejam ilhas de lixo. E ninguém, em sã consciência, discorda desse objectivo. O desafio é a transição. Porque entre a intenção nobre e a prática quotidiana há um oceano de 50 microns. E poucos, no terreno, sabem medir o oceano.