Sergei Lavrov, após o documento ter sido divulgado pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, em Nova Iorque, onde decorre a 81ª Assembleia-Geral da ONU, respondeu assegurando que a Rússia não vai parar a sua operação militar para permitir aos aliados de Kiev rearmar a Ucrânia.
A ideia que acompanha este argumento que, à vez, tem sido usado por Lavrov ou por Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, é que os aliados de Kiev procuram apenas conseguir um cessar-fogo que, como no passado, lhes permita reabastecer os arsenais ucranianos para regressar aos combates com renovado vigor.
O documento foi assinado, como outros semelhantes ao longo destes quase cinco anos de conflito, pelos 27 Estados-membros da União Europeia e os restantes aliados de Kiev, como Japão, Austrália ou, entre outros, Nova Zelândia...
E aponta, contudo, como um dos principais argumentos a necessidade de permitir sair da Ucrânia as milhões de toneladas de cereais que começam a escassear em vários pontos do mundo devido ao bloqueio naval imposto pela Rússia, ao mesmo tempo que condena novamente a "guerra de agressão" da Rússia contrária à Carta das Nações Unidas.
Apesar de sempre que podem os líderes europeus aproveitarem estes momentos, como o que decorre actualmente na sede da ONU em Nova Iorque, para procurar arregimentar apoios internacionais para isolar Moscovo, com um sucesso escasso, como se tem visto, ultimamente o Presidente dos EUA, que se tinha afastado deste "frente", parece ter voltado a ganhar interesse por ela pressionando em público o Presidente russo para acabar com o conflito.
Uma dessas demonstrações de empenho renovado aconteceu com Donald Trump a voltar à ideia de querer juntar esta à lista de guerras que acabou no mundo, nove, segundo o próprio, e também com o convite, e a pressão pública para que este o aceite, a Vladimir Putin para estar em Miami, na reunião do G20, a 14 e 15 de Dezembro próximo.
Apesar deste retomar da atenção sobre o conflito no leste europeu pela Casa Branca, a quem o ucraniano Volodymyr Zelensky persiste em pedir centenas de misseis para os seus sistemas anti-aéreos Patriot, para já sem resposta, Moscovo vem renovar as suas garantias de que quaisquer negociações que venham a acontecer não levarão à suspensão dos combates antes de estar assinado um acordo definitivo.
Isto, porque, como explicou Lavrov no Conselho de Segurança da ONU, na quarta-feira, 23, qualquer paragem no conflito "só serviria para que os aliados de Kiev enviassem mais armas para a Ucrânia".
"Nós não vamos aceitar qualquer pausa na `operação militar especial' porque isso só beneficiaria Kiev e os seus financiadores europeus que rapidamente aproveitariam para, de novo, inundar a Ucrânia com armas".
Apesar das evidentes dificuldades do regime ucraniano, admitido pelo próprio Presidente, especialmente devido à chegada do Inverno, com os repetidos ataques russos à infra-estrutura energética do país, Volodymyr Zelensky tem repetido as ameaças a Moscovo e a última foi que iria derrotar a Rússia nos próximos 40 dias se os seus aliados lhe derem as armas de que precisa.
Neste contexto actual do conflito, sendo verdade que os mísseis e drones russos chovem sobre a Ucrânia com regularidade diária, deixando o país exangue e sem capacidade de se defender, também os drones ucranianos chovem diariamente sobre a profundidade russa, gerando pesadas dificuldades a Moscovo, especialmente no seu estratégico sector energético.
Neste momento do conflito, como a generalidade dos analistas concorda, se a Rússia procura desmantelar a capacidade que resta a Kiev para se defender, e levar Zelensky a aceitar negociar nos termos do Kremlin, aproveitando as gélidas temperaturas do Inverno que se aproxima, os ucranianos procuram obter dos seus aliados as armas e o dinheiro que lhes permita chegar à Primavera ainda como país.
Todavia, há sinais de que este é um dos momentos mais melindrosos em muitos anos devido ao risco real de escalada neste conflito para as fronteiras da NATO, como Sergei Lavrov admitiu na semana passada, numa reunião com várias individualidades norte-americanas, incluindo John Mearsheimer, um dos mais prestigiados analistas de política internacional e professor da Universidade de Chicago.
Nesse encontro, Lavrov admitiu que existe muito ruído e problemas nas relações com Washington, mas quem surge como um problema para Moscovo são os países europeus, que, devido às suas repetidas declarações de guerra iminente com a Rússia, obrigaram a liderança em Moscovo a avançar com medidas preparatórias para essa possibilidade, cada vez mais vista como séria e possível.










