Os dois Presidentes vão estar frente a frente nesta segunda-feira, na Cidade Alta, onde Netumbo Nandi-Ndaitwah e João Lourenço passarão em revista o longo e sólido relacionamento entre os dois países, que remonta ás suas próprias independências, mas que a generalidade dos analistas admite que permanece muito por fazer.

Desde a construção de barragens, estando em perspectiva uma nova, a de Baynes, no Rio Cunene, na fronteira comum, que vai custar mais de 1,3 mil milhões de euros, financiado pelos dois países, como revelou o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, após uma reunião com o seu homólogo, Modestus Amutse, até novas ligações rodoviárias e projectos turísticos...

O titular da pasta da Energia e Águas de Angola realçou que este empreendimento hidroelétrico é importante para a estratégia de interligação entre os dois países, no âmbito do Acordo de Interligação Elétrica Angola-Namíbia, denominado ANNA, assinado a 15 de abril deste ano entre a Rede Nacional de Transporte de Eletricidade (RNT) de Angola e a NamPower, empresa pública namibiana.

Embora a Barragem de Baynes seja um projecto importante, que revela o empenho de ambos os países em potenciar os recursos que partilham ao longo da extensa fronteira comum, os dois Presidentes não terão falta de assuntos para tratar e lançar.

Na agenda oficial desta segunda-feira consta precisamente um encontro entre Netumbo Nandi-Ndaitwah e João Lourenço,na qual ambos, segundo o documento oficial, farão a análise do estado da cooperação bilateral e das perspectivas de aprofundamento das relações entre Angola e a Namíbia.

O programa contempla igualmente a assinatura de acordos bilaterais no quadro do reforço da parceria entre os dois países, a Presidente namibiana presta homenagem ao primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, na Praça da República e Netumbo Nandi-Ndaitwah passará ainda pela Assembleia Nacional, onde se dirigirá à Assembleia.

Na terça-feira, último dia da visita, Netumbo Nandi-Ndaitwah visita a Refinaria de Luanda.

Nas três décadas de relações bilaterais, considerando a data da independência namibiana, embora a importância da "fronteira" seja para ambos muito mais distante no tempo, como é historicamente conhecido, Luanda e Windhoek têm, apesar de longe do potencial, um caminho feito em conjunto.

A fronteira comum dos interesses

Destes projectos comuns já pensados ou a decorrer, constam, entre outros, o Projecto de Interligação Eléctrica Angola-Namíbia (ANNA), cujo objectivo é a construção de uma linha de transporte de muito alta tensão de 400 kV (com cerca de 160 km em território angolano) e a ampliação da subestação da Cahama, na província do Cunene.

Este projecto permite a exportação de até 500 megawatts (MW) de electricidade de Angola para a Namíbia e para a região da SADC e tm um financiamento da Namíbia (através da NamPower em parceria com a RNT de Angola).

Cosnta ainda o já referido acima Aproveitamento Hidroeléctrico de Baynes. Cujo estado actual é o de preparação de acordos de financiamento conjunto e de delimitação da área exclusiva do projecto.

Interligação Digital e Telecomunicações é outro sector em que Luanda e Windhoek estão a acertar agulhas através de acordo entre a Angola Telecom e a Telecom Namibia Limited para reforçar a conectividade digital na costa oeste da África Austral.

Com este projecto, o objectivo por parte de Angola é ganhar acesso internacional através do cabo submarino Equiano (com escala em Swakopmund), enquanto a Namíbia passa a aceder aos sistemas internacionais que chegam a Luanda (como o WACS e o SACS).

Os dois países t~em ainda em cima da mesa projectos de Transportes e Comércio, como o Posto Fronteiriço de Paragem Única (One-stop border post) e extensão de linhas ferroviárias para impulsionar o comércio bilateral e a circulação de pessoas, além de projectos de natureza ambiental e turística, como os do Okavango, onde angolanos e namibianos possuem um território de potencial de crescimento inesgotável.