O Chefe de Estado angolano discursava na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2026, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Neste âmbito, mostrou preocupação com os paradoxos do mundo actual, sobretudo o contraste entre a abundância de alimentos nos países desenvolvidos e as dificuldades de acesso à alimentação que afectam milhões de pessoas em vastas regiões do planeta.
"As alterações climáticas manifestam-se através de tempestades, chuvas torrenciais, cheias, inundações, secas severas, desertificação e aumento das pragas, fenómenos que comprometem a produção agrícola e agravam os problemas de fome e desnutrição", referiu
"A segurança alimentar constitui um objectivo e uma prioridade cuja concretização exige um esforço conjunto dos governos, do sector privado, das instituições científicas, das organizações não-governamentais, da sociedade civil e de outras entidades, em função das responsabilidades e capacidades específicas de cada uma", acrescentou apontando o aperfeiçoamento do modelo de cooperação internacional, que, no seu entender, deve abandonar a lógica de dominação de uns sobre os outros e a obtenção de vantagens à margem dos interesses de terceiros.
Segundo o Presidente da República, estas práticas geram tensões e dificultam o diálogo e a concertação necessários à formulação e implementação de estratégias para garantir a paz, a estabilidade e a segurança mundial.
"Num ambiente de paz e estabilidade será mais fácil promover e desenvolver novas economias, bem como acabar ou reduzir consideravelmente a fome e a miséria em diferentes países e regiões do planeta", destacou, salientando que a erradicação da fome exige respostas colectivas.
Referiu que este Fórum Mundial da Alimentação é uma plataforma adequada para a reflexão sobre uma arquitectura de segurança alimentar que tenha em conta os factores políticos, financeiros, técnicos, científicos e outros que influenciam a capacidade de produção agrícola e o seu melhoramento em todo o mundo.
O Presidente da República, João Lourenço, chegou esta segunda-feira à sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, Itália, onde participa no Fórum Mundial da Alimentação 2026, dedicado à inovação e à transformação dos sistemas agroalimentares.
O encontro, que decorre até 16 de Outubro, sob o lema "Inovar hoje para alimentar amanhã", reúne representantes governamentais, investigadores, produtores agrícolas, jovens, investidores e parceiros internacionais para debater soluções destinadas a reforçar a segurança alimentar e promover sistemas de produção mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.
A agenda do fórum contempla três eixos principais, nomeadamente a acção global da juventude, o fórum de ciência e inovação e o fórum de investimento da iniciativa Mão na Mão (Hand-in-Hand), com actividades destinadas a promover parcerias, mobilizar recursos e acelerar a transformação da agricultura.
o País apresentou neste evento a candidatura oficial da diplomata angolana Josefa Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Josefa Sacko possui mais de 30 anos de experiência no sector agroalimentar e em organismos multilaterais, tenho ganhado grande notoriedade internacional ao exercer o cargo de comissária para a Economia Rural e Agricultura da Comissão da União Africana e ao ser nomeada pela ONU como uma das líderes globais no combate à desnutrição.
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