Este cenário pessimista é suportado pelos dados de organizações como a Administração dos EUA para a Atmosfera e Oceanos (NOAA) e a Organização Mundial Meteorológica da ONU (WMO), que apontam a África Austral como uma das regiões pintadas a vermelho no mapa do risco global.

Todos os especialistas, com raras excepções, defendem que os países com risco acrescido de serem impactados por este fenómeno que resulta do sobreaquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera ventos e correntes marítimas em todo o mundo, devem agora preparar-se para o pior.

É que, se se vier a confirmar, um efeito semelhante ao que é agora esperado só há registo conhecido em 1877, quando o ainda não baptizado "El Niño", provocu fome generalizada em praticamente todo o mundo, matando mais de 50 milhões de pessoas, 4% da população mundial em finais do século XIX.

E este gigantesco "El Niño", previsto para este ano, se ocorrer aliado aos efeitos da guerra no Médio Oriente, onde o fecho do Estreito de Ormuz está a retirar de circulação compostos vitais para fertilizantes em todo o mundo, tem tudo, alertam os especialistas, para ser um pesadelo para vários países.

E os da África Austral, da América do Sul, com destaque para o Brasil, ou na Oceânia, com a Austrália na linha da frente, só para citar alguns exemplos, são quem deve, de acordo com especialistas e organizações internacionais, tomar precauções mais sérias, desde logo antever uma provável escassez alimentar por causa da redução da produção agrícola imposta seja pela seca extrema e prolongada, seja por inundações abruptas.

E já há alguns sinais de que em países na linha da frente deste graúdo "El Niño" estão a ser pensadas estratégias para lidar com problemas daí resultantes, como na Europa, onde, sem mencionar as razões, se começa a falar da reconstrução de reservas alimentares estratégicas, sendo Portugal um desses exemplos, visto que o sul da Europa é outra geografia de risco.

Quanto à África Austral, de que Angola faz parte, embora com exposição mais acentuada nas suas províncias do sul, nas últimas duas décadas, não faltam exemplos dos efeitos nefastos deste tipo de fenómeno climático (ver links em baixo), com secas sem fim e inundações súbitas e trágicas.

Por detrás deste efeito em acelerado crescimento estão os registos feitos nas águas do Oceano Pacífico, com subidas de temperaturas, como avança a BBC, recorde, estando actualmente 0,5º graus acima do normal, o que para os medidores usados para efectiuar previsões é só por si um cenário pouco animador, sugerindo um aquecimento claramente anormal.

Segundo dados do NOAA, e da WMO, as medições actuais apontam para um aquecimento das águas do Pacífico em aceleração e o pico deste efeito deverá ser sentido no último trimestre de 2026 e início de 2027, ano que não deverá escapar ao recorde do ano mais quente de sempre.

Citado pelas agências, Nathanial Johnson, técnico da NOAA, considera estar-se perante "uma ocorrência rara" que se se mantiver na actual evolução levará inevitavelmente a um super "El Niño", com consequências que é cedo para antecipar com relativa precisão mas que pode ser ainda pior que as actuais previsões mais alarmistas.

Isso mesmo deixa perceber o BoM, o Instituto de Meteorologia da Austrália, que usa critérios de previsão distintos dos seus congéneres internacionais, apontando para uma subida da temperatura da água do Pacífico em 0.8ºC.

Para piorar este cenário, o BoM avança que já registou uma mudança na direcção dos ventos anormal no Pacífico, o que significa que este fenómeno já está a produzir alterações e a influenciar a atmosfera.