O óbito foi declarado no passado dia 7 de Junho, mas o casal nunca chegou a ver o corpo do filho, que, segundo o hospital, foi levado para a morgue.

De acordo com o relato da família ao Novo Jornal, no Huambo, a equipa médica de serviço informou a mãe de que o bebé havia falecido, mas nunca apresentou o corpo. Por isso, o casal contesta versão do hospital sobre a morte do recém-nascido.

Luís Máquina e Celma Kanganjo já tinham escolhido o nome do filho e sonhado com a forma como iriam cuidar e educar o primogénito.

Residente na Zona Alta, no município do Huambo, Celma deu à luz no dia 31 de Maio. Três dias depois, o bebé começou a apresentar dificuldades respiratórias. No dia 3 de Junho, a mãe decidiu levá-lo ao Hospital Geral do Huambo, onde permaneceu internado durante três dias.

No dia 7 de Junho, quando tudo indicava que o estado clínico da criança era estável, Celma Kanganjo foi informada pela equipa médica de que deveria amamentar o bebé ao meio-dia. A jovem ausentou-se por alguns minutos, e, quando regressou, foi informada de que a criança havia falecido.

Minutos depois foi chamada para assinar o certificado de óbito do recém-nascido e notificada de que o corpo se encontrava na morgue da unidade hospitalar.

Resignada com a notícia, dirigiu-se à morgue acompanhada pelo marido, mas o corpo da criança não se encontrava no local, o que gerou preocupação e revolta no casal e na família.

Inconformados, reclamaram junto da direcção do hospital. Até ao momento, porém, o corpo nunca lhes foi entregue.

Desesperada, a família recorreu ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), que já investiga o caso, confirmaram fontes locais ouvidas pelo Novo Jornal.

Segundo fontes do SIC-Huambo, o processo encontra-se sob segredo de justiça. Já a direcção do Hospital Geral do Huambo recusa-se a prestar declarações sobre o assunto.

Volvido um mês, o casal continua sem qualquer informação sobre o paradeiro do bebé e acredita que a criança não tenha morrido, ao contrário do que foi comunicado pela equipa médica do hospital.

A família suspeita que o desaparecimento possa estar relacionado com um alegado esquema de tráfico de menores e acredita que a criança esteja viva.

"Acho que o meu filho não morreu. Eles sabem para onde o levaram", afirmou o jovem pai, em desespero.

No passado dia 10, o casal voltou às instalações do SIC-Huambo para obter esclarecimentos sobre o processo. Na presença da imprensa, seguiu novamente para o Hospital Geral do Huambo, onde prosseguiram as diligências no âmbito da investigação.

O Novo Jornal soube que os efectivos do SIC pretendem ouvir novamente a médica de serviço que emitiu o certificado de óbito, mas tal não ocorreu naquela data e nada mais foi comunicado ao casal.

Até ao momento, as entidades competentes continuam sem se pronunciar sobre o caso e a família segue sem respostas.

Enquanto isso, o casal vive entre a angústia e a esperança de obter das autoridades uma explicação concreta sobre o que aconteceu.