Massoud Pezeshkian lembrou que tais ataques deveram-se à presença de bases norte-americanas nos seus territórios, mas acrescentou que se tratou de uma iniciativa autónoma da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) depois da morte do Supremo Líder Ali Khamenei.
"As unidades militares das forças armadas do Irão agiram conforme estava estipulado nos seus planos de acção assim que viram o Supremo Líder e os seus comandantes a serem assassinados" no Sábado, 28 de Fevereiro, o primeiro dia desta guerra, apontou Pezeshkian.
O Presidente iraniano asseverou, naquilo que é uma forma de amenizar as relações com a região, que as acções militares contra os países vizinhos foram executadas à margem das indicações do Conselho de Transição, que gere o país até à escolha do novo Supremo Líder.
Este conselho é composto pelo Presidente é a segunda figura do Estado, com poderes executivos, secundando o Grande Aiatola, na condição de Líder Supremo da República islâmica desde a revolução de 1979, pelo chefe judicial, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, e pelo aiatola Alireza Arafi, e é a entidade máxima do poder actual em Teerão.
Todavia, como também já foi explicado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, a IRGC manteve a asua actividade seguindo as coordenadas previamente deixadas por Ali Khamenei, de 86 anos, antes de morrer, a quem devem obediência estatutária em primeira instância.
A componente militar no Irão é integrada pela IRGC, a elite das forças armadas e com capacidade de acção quase autónoma, e das Forças Armadas regulares, cuja missão é mais dirigida para a segurança interna e de fronteiras.
Com este passo de amenização assinalado pelo Presidente Pezeshkian, que é um moderado do regime iraniano, Teerão entra na segunda semana de guerra concentrando assim o seu poder de fogo nos ataques sobre Israel, a quem acusam de ser o pivot que está a conduzir os Estados Unidos para esta guerra, que "é contrária aos seus interesses", como já notou Abbas Araghchi.
E isso tem sido a norma nas últimas 24 horas, onde os misseis e drones, como já tinha sido notado pelos próprios EUA, deixaram de chegar aos países do Golfo, especialmente o Catar, o Kuwait, Bharein, EAU e Arábia Saudita, os mais afectadas...
Mas o mesmo não sucede com Israel, onde, pelo contrário, tem aumentado a intensidade, especialmente através dos novos misseis hipersónicos Fatteh-2 e Khorramshahr, ambos atingindo velocidades de mach 10 a 15, imparáveis pelos sistemas mais modernos na posse de Israel e dos EUA.
Apesar da censura apertada em Israel, incluindo sobre os jornalistas estrangeiros, como uma jornalista da CNN disse em directo, que não podia filmar os misseis iranianos a chegar a Telavive por não ser permitido pelas autoridades, sob risco de expulsão do país, centenas de vídeos conseguem chegar às redes sociais mostrando uma destruição em cidades como Telavive e Haifa como nunca sucedeu na história israelita.
Além disso, a sociedade israelita está a desmoronar devido a estes consecutivos ataques, sendo o número de baixas reduzido porque a população vive quase literalmente nos bunkers espalhados por todas as cidades do país.
Isto, ao mesmo tempo que a coligação atacante mantém uma barragem incessante de bombardeamentos sobre o Irão, alvejando especialmente Teerão, uma cidade de 10 milhões de pessoas, com vastos quarteirões reduzidos a escombros, fazendo lembrar as imagens trágicas de Gaza.
O que fica por saber é se a garantia norte-americana de que a capacidade militar do Irão está quase totalmente obliterada, como referiu já o Presidente Donald Trump, corresponde à verdade, porque os misseis continuam a voar na direcção de Israel.
O que parece mais claro a cada dia que passa é que Donald Trump não está a conseguir "vender" esta guerra ao resto do mundo, onde crescem as críticas aos ataques iniciais, por não existir uma razão válida, excepto seguir o Plano Bibi" como já é conhecida a estratégia israelita.
Isto, que é um problema para Trump, porque, ao contrário da invasão de 2003 do Iraque, nenhum dos seus aliados ocidentais se juntou ao seu esforço de guerra, muito porque a ideia de que é uma guerra injusta está a ganhar tracção.
Além disso, a questão dos "Ficheiros Epestein", o maior escândalo de pedofilia internacional de sempre, onde o nome do Presidente norte-americano aparece milhares de vezes, sendo mesmo um dos mais citados, aparecendo ainda em dezenas de vídeos e fotografias comprometedoras, não deixou o espaço mediático, mesmo com o começo do conflito com o Irão.
E isso, em grande parte, porque, como apontam vários analistas, fazer desaparecer este escândalo dos media é uma das possíveis razões de topo para a guerra...
Outro problema para Washington é a entrada em cena da ONU e de várias ONG's a exigirem investigações independentes sobre o míssil americano que caiu sobre uma escola primária de meninas na cidade de Minab, sul do Irão, logo no primeiro dia de guerra, matando 165 crianças e dezenas de professores e funcionários.
O maior crime de guerra em muitos anos, como o Pentagono tem respondido aos jornalistas, está sob investigação interna das forças armadas dos EUA.
Até ao momento, já morreram, segundo números oficiais iranianos, cerca de 1400 civis, quase metade crianças e mulheres... e cerca de mil soldados. Em Israel pereceram, também segundo números oficiais, 28 pessoas...










