Como se percebe á medida que as horas passam, os ataques iniciais neste nova guerra no Médio Oriente começada pela coligação israelo-americana foram mais devastadores para a estrutura de poder do Irão que o que Teerão oficialmente admitiu ainda no Sábado.
Não foi apenas o aiatola Ali Khamenei que sucumbiu, quando estava no seu gabinete, na capital iraniana, aos esmagadores ataques das primeiras horas de ontem, Sábado, 28 de Fevereiro, também vários chefes militares de topo foram mortos, entre estes o CEMGFA iraniano, general Abdolrahim Mousavi.
No rescaldo das mortes obtidas pela coligação israelo-americana fica ainda o registo trágico do ataque à escola primária feminina de Minab, no sul do país, onde foram confirmadas 148 crianças mortas pelo governador da região de Ormugustão.
Na resposta a estes "sucessos" dos atacantes, o Irão não vacilou, pelo menos para já, porque, além de manter e reforçar as vagas de ataques com misseis sobre cidades israelitas e sobre as bases e interesses norte-americanos nos países vizinhos do Golfo Pérsico, rapidamente accionou os mecanismos de substituição do Supremo Líder.
Este elemento de resposta célere para substituir Ali Khamenei, 86 anos, é visto como relevante pelos analistas porque demonstra que a assunção de Washington e Telavive de que o regime islâmico revolucionário do irão cairia assim que fosse eliminada a sua estrutura de comando de topo.
A sua morte foi confirmada nas primeiras horas detse domingo, 01 de março, pela agência oficial de notícias iraniana, Tasnim, quando isso já tinha sido anunciado pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyhau, ao mesmo tempo que pedia ao povo iraniano para se sublevar e derrubar o regime que comanda o país deste a revolução islâmica de 1979.
Reagindo a este desfecho para 35 anos de poder de ali Khamenei, o Presidente do Irão, Massoud pezeshkian, tornou pública uma nota onde garante que "o grande crime cometido não passará impune e marcará um novo capítulo na história do mundo islâmico xiita".
Ao mesmo tempo que anunciava 40 dias de luto nacional, Pezeshkian estava a sublinhar que o mundo xiita, o ramo do Islão que se distingue da maioria sunita, não esqueceria este "crime grande" e que a vingança acontecerá agora ou no futuro distante, porque não será esquecido.
E não parece estar a sê-lo, porque, mesmo no meio das sucessivas vagas de ataques da coligação israelo-americana, milhões de pessoas saíram para as ruas das principais cidades iranianas em apoio ao Governo, condenando o assassinato do Líder Supremo.
Em Washington, o Presidente Donald Trump, que horas antes tinha cancelado uma declaração ao país, já depois da morte confirmada de Ali Khamenei, retomou as ameaças e disse que se o Irão mantiver as vagas de ataques aos interesses dos EIUA no Médio Oriente, será atacado com "um poder que nunca foi visto antes".
Entretanto, sem interrupção, como é possível verificar nas redes sociais, explosões sucedem-se nos países vizinhos onde os eUA possuem bases militares, e nas cidades de Israel e começam a ser confirmadas as primeiras baixas entre os militares norte-americanos nas bases da região.
Ao mesmo tempo, naquilo que está a gerar uma poderosa expectativa para segunda-feira, 03, com a abertura dos mercados petrolíferos, estando como está desde ontem fechado o Estreito de Ormuz, a porta de saída para mais de 20 milhões de barris de crude diariamente, o que corresponde a 20 por cento do petróleo consumido no mundo.
Barril nos 100 USD?
Isto, porque, como se temia, a Guarda Revolucionária do Irão mandou encerrar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, impedindo assim a passagem de mais de 20 milhões de barris de crude, cerca de 20% do petróleo consumido diariamente no mundo, para a economia global.
O fecho desta estreita passagem marítima, com cerca de 33 kms de largura, mas apenas 2,5 kms navegáveis pelos grandes petroleiros, está, segundo os media iraniano e as agências de notícias, através de mensagens rádio enviadas para os navios em curso na região.
Nessa mensagem é dito aos capitães de todas as embarcações que a passagem no Estreito de Ormuz "não é permitida", o que é mais um conselho que um impedimento físico, mas os destinatários da mensagem sabem que basta ao Irão espalhar minas navais na área para que a passagem deixe de ser segura.
No pior cenário, os iranianos afundam alguns navios velhos na passagem e esta deixa de estar disponível por largos meses, mesmo depois de a guerra acabar, se não se revelar de longa duração.
As consequências deste gesto são óbvias e na próxima segunda-feira, dia 02 de de Março, os mercados petrolíferos devem viver um período de grande efervescência com os preços a disparar para valores recorde muitos meses, ou mesmo anos.
Para os países encerrados no Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Emiratos Árabes Unidos... este é um pesadelo económico que pode ser altamente destrutivo para as suas economias.
Mas para os países exportadores de crude fora desta geografia em turbulência, como é o caso de Angola, pelo menos momentaneamente será de ganhos rápidos porque o barril facilmente deverá passar dos 80 USD, visto que fechou a sessão de sexta-feira, 27, nos 72 USD para o Brent e 67 para o WTI, em Nova Iorque.
Sendo o mais vital ponto de passagem em todo o mundo para o fornecimento de crude e um dos mais relevantes para o gás natural, é natural que Teerão esteja a ser já pressionado pelos países não envolvidos no conflito actual, começado com os ataques desta manhã pela coligação israelo-americana (ver links em baixo) contra o Irão.
Mas dificilmente Teerão vai ceder, até porque este parece ser um passo concertado com os seus aliados do Iémen, os Houthis, que horas antes tinham anunciado que todos os navios que atravessarem o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar vermelho/Canal do Suez ao Oceano Índico.
Esta não é a primeira vez que os Houthis fazem isto, o que obriga os navios que demandam o Canal do Sul oriundos da Ásia a passar pelo sul de África, o que representa uma viagem de mais de duas a três semanas, aumentando e muito os custos do transporte de bens e de energia.











