Esta justificação apresenta falhas, aos olhos de vários analistas, porque os sistemas de defesa anti-aérea usados pelo Kuwait, como, de resto, todos os países do Golfo Pérsico aliados dos EUA, são ou os Patriot ou os TAHAAD, ambos equipados com um mecanismo denominado IFF (Identification Friend or Foe - Identificação Amigo ou Inimigo), que impede o abate de aviões da "casa".
Ora, com três aviões de guerra sofisticados, aparentemente, segundo as fontes disponíveis, tratar-se-á de dois F-15 Eagle e um F-16, abatidos pela defesa aérea do Kuwait, segundo vários analistas, é difícil aceitar que o IFF falhou nas três situações.
Mas o chamado "nevoeiro da guerra" que é comummente usado pelas partes em conflito para manipular a informação de forma a não perder "terreno" na frente da propaganda, permite aos EUA, como ao Irão, afunilar a informação que chega aos media de forma a não permitir falhas de... comunicação.
O que também se tem verificado no que diz respeito às baixas nestes três dias de guerra, seja do lado norte-americano, onde o Departamento da Guerra admite apenas quatro óbitos, enquanto o Irão garante ter abatido mais de 200 militares dos EUA, ou vítimas dos bombardeamentos sobre Israel, onde até ao momento apenas foram confirmados por Telavive nove civis mortos mas Teerão afirma que já liquidou dezenas de militares e agentes da Mossad.
Do lado do Irão, as vítimas são conhecidas oficialmente entre os civis, com o Crescente Vermelho, similar à Cruz Vermelha, a anunciar que nestes três dias foram mortos perto de 560 civis, incluindo as 165 meninas na escola primária de Minab, no sul do país, atingida por misseis da coligação israelo-americana, ainda como os 48 chefes militares e políticos que sucumbiram com o Supremo Líder Ali Khamenei logo nos primeiros ataques de Sábado.
Fora do "nevoeiro da guerra" está o impacto do conflito na economia mundial, desde logo nas primeiras horas desta segunda-feira, 02, quando os mercados petrolíferos internacionais abriram e encontraram o Estreito de Ormuz fechado, fazendo o barril disparar para, no caso do Brent, lá dos 80 USD no imediato...
Mas esse impacto está ainda longe do seu esplendor, porque, já a meio deste 3º dia de guerra, soube-se que o Irão mudou a estratégia e está agora a atacar a infra-estrutura petrolífera dos aliados dos EUA no Golfo Pérsico, com ataques na Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emiratos Árabes Unidos...
Soube-se entretanto que a ARAMCO, a petrolífera saudita, a maior do mundo, encerrou mesmo a maior refinaria em todo o planeta, a de Ras Tanura, que produz meio milhão de barris por dia, e os restantes PetroEstados do Golfo suspenderam as suas actividades no oil & gas por precaução, porque os misseis e drones iranianos parecem saber como trespassar as barreiras antiaéreas dos Patriot e TAHAAD norte-americanas.
Este movimento concertado deverá levar os mercados a novas subidas no preço do barril, sendo que os analistas citados pelos media especializados estão a sublinhar que só na terça-feira será possível averiguar com precisão o efeito destas medidas, incluindo o fecho do Estreito de Ormuz, parcial, porque o Irão está a deixar passar os navios de alguns países amigos.
Entretanto, perto das 14:30, hora de Luanda, em Washington, Pete Hegseth, o secretário da Guerra, fez declarações, no mínimo curiosas, porque defendeu, citado por The Guardian, que "os EUA não começaram esta guerra mas sob o comando do Presidente Donald Trump, estão a acabar com ela".
Isto, quando se sabe que foi a coligação americano-isarelita que lançou um abrasivo ataque contra Teerão, nas primeiras horas de Sabado, quando assassinou o Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, quando estava agendada uma nova ronda de negociações com o Irão sobre o seu programa nuclear, a causa de todos os problemas, segundo Donald Trump.
O mesmo que já tinha acontecido em Junho do ano passado, quando Israel e EUA atacaram o Irão horas antes de ter lugar uma nova ronda negocial precisamente sobre o programa nuclear do Irão.
O secretário da Guerra (antigo Departamento da Defesa) avançou que o Irão está há 47 anos, desde a revolução Islãmica de 1979, a "atacar unilateralmente os EUA", referindo o Irão como autor de carros-bomba em Beirute, ataques com roquetes contyra navios norte-americanos, bombas na estrada no Iraque, Afeganistão...
Como é evidente, apesar de haver ligações entre o Irão e vários movimentos que se opõem aos EUA e a Israel na região, dificilmente esta declaração de Hegseth resistiria ao poligrafo comummente em uso nos EUA, sem esquecer que a guerra contra o Irão lançada pelo Iraque de Saddam Hussein, em 1980, que durou 8 anos, foi fomentada e financiada por Washington... na qual morreram perto de 300 mil iranianos.
Mas estas declarações de Pete Hegseth mostram claramente que os EUA não querem prolongar esta guerra, seja por causa das consequências económicas, seja por causa da resposta abrasiva do Irão, o que deixará em brasa o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyhau, que conta com os EUA para ir até ao fim na mudança de regime em Teerão.
Menos convencional na forma como pretende acabar com esta guerra apareceu na mesma conferência de imprensa o general Dan Caine, CEMGFA norte-americano, que anunciou reforços militares para a região em breve.
"É um rápido reforço de meios na região que não apenas demonstra a vontade de superar o inimigo como permite um reajustamento da capacidade de combate e projectar força no tempo e no modo que os EUA escolherem", disse o general Caine, com Hegseth ao lado.
O que parece estar a ser percepcionado há muito do lado iraniano, porque, ao contrário do que aconteceu na "guerra dos 12 dias" de junho do ano passado, desta feita está a escolher os alvos de forma criteriosa, afectando não apenas a capacidade de recolha de dados, como radares e drones de obtenção de informação, como mostrando que os EUA podem vir a sofrer a maior crise económica de sempre se esta guerra continuar.
Além disso, como se percebe visualizando as centenas de vídeos disponíveis nas redes sociais e os analistas confirmam, o Irão está a usar cautelosamente os seus misseis, de forma a garantir que consegue manter a operacionalidade atacante por mais tempo, procurando exaurir a capacidade norte-americana e israelita antes de usar os seus projectéis mais sofisticados, nomeadamente os hipersónicos...











