Isto, quando tanto em Junho de 2025 como em Fevereiro deste ano, foi Israel, em coligação com os EUA, que, de forma inesperada e quando decorriam negociações sobre o programa nuclear do Irão com Washington, atacou o Irão matando dezenas dos seus líderes.

E entre esses líderes mortos a 28 de Fevereiro estava o Supremo Líder do Irão, aiatola Ali Khamenei, bem como 40 outros dirigentes militares e políticos de topo, num bombardeamento na sua casa em Teerão, quando ninguém estava ã espera.

Além disso, a coligação israelo-americana aproveitou duas vezes situações em que Washington e Teerão mantinham negociações sob mediação internacional sobre a questão nuclear iraniana, que era, e é, a principal questão vincada por Donald Trump por resolver.

O mesmo primeiro-ministro israelita que chama "bando de selvagens" aos iranianos está a ser procurado pela justiça internacional por envolvimento directo no genocídio que acontece desde 2023 em Gaza, onde já foram mortas mais de 75 mil pessoas, na maioria crianças e mulheres, pelas forças militares israelitas. (ver links em baixo).

Apesar deste contexto, o primeiro-ministro israelita, como noticia a Lusa, descartou esta quarta-feira, 26, a possibilidade de um acordo diplomático com os líderes iranianos, que classificou como "selvagens", e reiterou que se o Irão atacar Israel a resposta será mais forte do que nunca.

"Duvido que, com aquele bando, com aqueles selvagens, seja possível chegar a um acordo. Garanto-vos que não se pode chegar a nenhum acordo", declarou Benjamin Netanyahu, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Netanyahu falava num evento realizado na terça-feira desta semana, à noite, num colonato israelita na Cisjordânia, e divulgadas hoje pelo seu gabinete.

O líder israelita referiu que, no último encontro há quase um mês, em Washington, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, transmitiu não ter "nenhuma objeção" a negociações diplomáticas com Teerão, mas considerava impossível chegar a um acordo com "o bando" que dirige o Irão.

De acordo com Netanyahu, um acordo diplomático foi uma das três opções discutidas no encontro com Trump em Washington, salientando que as outras duas foram uma ação militar e o reforço do bloqueio contra o Irão, regozijando-se por os Estados Unidos terem avançado com uma nova campanha na "guerra económica" contra Teerão.

"Ontem [segunda-feira, Trump] confirmou esta decisão de forma muito, muito, muito contundente", saudou, referindo-se às novas sanções económicas impostas a mais de 60 entidades, indivíduos e navios que colaboram com o regime iraniano.

Por outro lado, o primeiro-ministro israelita voltou a ameaçar Teerão com "um golpe" muito contundente, caso o Irão ataque Israel.

"Não permitiremos que o Irão nos ataque e, se, Deus nos livre, nos atacarem, receberão um golpe com o qual nem sequer sonharam, muito mais forte do que aquele que receberam até agora", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.