Foi o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que anunciou que as suas Forças Armadas vão atacar Moscovo durante as celebrações deste Sábado, quando a Federação Russa comemora a vitória da então URSS sobre os nazis alemães de Adolf Hitler.

A comemoração da vitória do Exército Vermelho, em 1945, sobre a Alemanha nazi, que colocou fim à II Guerra Mundial é a maior celebração russa anual e é assinalada normalmente com uma parada militar de grandes dimensões.

Este momento é vivido com especial intensidade na Rússia porque, na II Guerra Mundial morreram mais de 27 milhões de cidadãos da então União Soviética até que a 09 de Maio, o Exército Vermelho esmagou as tropas de Hitler até chegarem a Berlim.

Este ano, ao contrário do habitual, o Presidente Vladimir Putin anunciou que a celebração do 81º aniversário da vitória sobre os nazis, terá lugar sem o tradicional desfile de armas, apenas com a passagem de unidades militares pela Praça Vermelha.

Para marcar esta data, o Kremlin fez anunciar um cessar-fogo na guerra com a Ucrânia de dois dias, a 08 e 09 de Maio, ao qual, quando estava na presença de dezenas de líderes europeus, em Erevan, na Arménia, na 8ª Cimeira Política Europeia, Zelensky respondeu, na segunda-feira, com a ameaça de atacar o desfile com centenas de drones.

A resposta russa foi imediata e com um tom até hoje nunca usado nos mais de quatro anos de conflito russo-ucranianos: "Todas as representações diplomáticas, organizações internacionais e população civil devem abandonar Kiev quanto antes".

Em comunicado emitido pelo Ministério da Defesa, primeiro, logo após as palavras ameaçadoras de Zelensky, e, agora, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Federação Russa avisa formalmente para o risco de permanecer na capital ucraniana se ocorrer qualquer tipo de ataque em Moscovo durante as celebrações do 09 de Maio.

Maria Zakharova, porta-voz do ministério tutelado por Sergei Lavrov, reafirmou o que já tinha sido dito pela Defesa, no sentido de uma saída imediata de Kiev de todas as representações diplomáticas ou organizações internacionais, além da população civil.

Das palavras usadas pelo Ministério da Defesa no comunicado emitido no início da semana facilmente se depreende que a Rússia usará os seus já tão famosos quanto temidos misseis hipersónicos Oreshnik, com múltiplas ogivas com capacidade destruidora convencional sem paralelo em todo o mundo.

Maria Zakharova avisou, reforçando as palavras do Ministério da Defesa, que esta advertência "deve ser levada a sério e sem pestanejar", acrescentando que o seu ministério enviou uma nota formal a todas as representações diplomáticas e organizações internacionais de forma a reforçar a seriedade da situação.

"O inevitável ataque retaliatório das Forças Armadas da Federação Russa sobre Kiev incluirá todos os centros de decisão se a Ucrânia concretizar a sua ameaça terrorista", avançou ainda Maria Zakharova.

Neste momento, quinta-feira, 07, ainda é cedo para perceber se os ucranianos vão respeitar o cessar-fogo unilateral anunciado pelo Kremlin, embora Volodymyr Zelensky tenha, inicialmente, rejeitado estas tréguas, tendo, porém, pouco depois anunciado pelo seu lado um cessar-fogo igualmente unilateral para 06 e 07 de Maio, que, ao que tudo indica, está a ser minimamente respeitado pelos russos, apesar de algumas ocorrências registadas.