Entre as preocupações levantadas pela deputada Mihaela Weba, da UNITA, está a dificuldade de identificar os responsáveis por páginas nas redes sociais que divulgam conteúdos controversos ou alegadamente falsos.

"Temos por exemplo a página de Joana Clementina, que não sabemos quem é o dono. Esta página será retirada ou não?", questionou a deputada.

O deputado Manuel da Fonseca, também da UNITA, argumentou que a proposta de Lei "não protege a verdade, antes protege o silêncio e controla o debate público".

O parlamentar manifestou reservas quanto ao conteúdo do documento, defendendo que "não procede", por, no seu entendimento, apresentar fragilidades de fundo.

Segundo o deputado, a proposta concentra-se essencialmente nos meios de comunicação social, podendo, na sua perspectiva, configurar uma tentativa de intimidação à crítica política, o que levanta preocupações no que se refere à salvaguarda da liberdade de expressão.

O deputado Milonga Bernardo, do Grupo Parlamentar do MPLA, reafirmou que o objectivo central desta proposta é salvaguardar o interesse público.

Refira-se que o documento, já aprovado na generalidade por 97 votos a favor, 74 contra e três abstenções, visa, segundo o Executivo, prevenir e punir a produção e disseminação de "fake news", prevendo penas de prisão que podem chegar até 10 anos, particularmente em casos que afectem a segurança nacional ou a integridade eleitoral.

O documento, de iniciativa legislativa do Executivo, defende a necessidade de proteger o espaço digital e a sociedade, enquanto os partidos políticos da oposição expressam preocupações sobre o uso da Lei para silenciar jornalistas e restringir a liberdade de expressão.

Segundo o Governo, "a Lei pretende focar-se em casos de falsidade objectiva, manipulação grave e dolo, distinguindo-os da opinião ou crítica política legítima".

Em Janeiro, a Ordem dos Advogados de Angola (OAA) enviou à Assembleia Nacional um parecer sobre duas propostas de lei aprovadas recentemente, na generalidade, pelo Parlamento - a que diz respeito à cibersegurança e a do combate às fake news -, considerando que são uma "ameaça combinada e um retrocesso democrático".