Em comunicado de imprensa, o principal partido da oposição exige que os resultados das negociações sejam vertidos em compromisso escrito e efectivamente implementados.

"O Grupo Parlamentar da UNITA, no exercício do seu papel de fiscalização da acção do Executivo e de representação do povo angolano, nos termos do artigo 141 da Constituição da República de Angola, vem manifestar a sua profunda preocupação face à greve geral dos professores, em vigor desde esta segunda-feira, 21 de Setembro de 2026, decretada pelo SINPROF, após o esgotamento de todas as vias de diálogo com o Executivo", lê-se na nota.

O Grupo Parlamentar da UNITA considera que as reivindicações dos professores têm natureza estrutural, e aponta, entre as principais matérias, a situação dos professores excluídos dos concursos de ingresso interno e de acesso, o subsídio de 30% para os docentes em regime de monodocência, as diferenças no enquadramento salarial e a resolução dos problemas relacionados com os manuais escolares e as condições de trabalho.

A UNITA reconhece, entretanto, que a greve afecta o funcionamento normal das escolas e pode provocar prejuízos aos alunos, razão pela qual defende que a resolução do conflito deve passar pela retoma do diálogo e pelo cumprimento efectivo dos compromissos assumidos.

O Grupo Parlamentar do maior partido da opposição constata que as reivindicações do SINPROF não são conjunturais, mas estruturais, arrastando-se há vários anos sem acolhimento efectivo, nomeadamente "a inclusão dos 53.575 professores injustamente excluídos do concurso de ingresso interno e de acesso na fase de inscrições e selecção, apesar da carência efectiva de docentes no País".

A UNITA considera que o diálogo é fundamental para garantir a produção e a produtividade do sistema de ensino, mas sobretudo para a defesa e dignificação da classe docente, condição sine qua non para um ensino de qualidade. Sem professor motivado, não há aprendizagem efectiva.

A greve nacional dos professores arrancou esta segunda-feira e a adesão rondava os 100% em várias províncias no primeiro dia.

A primeira fase da paralisação decorre de 21 de Setembro a 15 de Outubro, estando previstas outras três fases de greve ao longo do ano lectivo, caso o diferendo não seja resolvido.

O Executivo angolano anunciou o cumprimento de cerca de 80 por cento dos compromissos assumidos em Janeiro com o Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF).

De acordo com os dados oficiais, dos 53.755 agentes de educação previstos para a actualização de carreira, um total de 50.549 candidatos já foram validados.

O Ministério das Finanças assegurou a cabimentação financeira deste processo, estando o cronograma de pagamento dividido em duas fases.

A primeira actualização ocorre em Outubro de 2026 para os funcionários admitidos entre 2017 e 2018, enquanto a segunda fase está agendada para o primeiro trimestre de 2027, cobrindo os profissionais de 2019 e 2020.

Para os candidatos que ficaram de fora por questões de elegibilidade, o Executivo assumiu o compromisso de rever os processos de 3.206 inscritos e anunciou a realização de um novo concurso interno excepcional, previsto para o segundo trimestre de 2027, visando garantir a integração de todos os profissionais elegíveis.