Os argumentos de defesa apresentados pelos arguidos não foram convincentes para o tribunal, que decidiu manter a acusação do MP sobre os crimes dos arguidos Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, cidadãos russos, e dos angolanos Francisco Oliveira e Amor Carlos Tomé.

Não há ainda uma previsão para o arranque deste julgamento mediático, mas o Novo Jornal soube que a data será marcada tão logo terminem as férias judicias.

A instrução contraditória não é um julgamento, é apenas uma fase inicial em que, pela primeira vez, um juiz averigua a viabilidade da acusação feita pelo Procuradoria Geral da República (PGR) e os arguidos tentam convencer o tribunal de que a acusação não tem razão, apresentando os seus argumentos e provas.

Porém, se o tribunal, através de um colectivo de juízes, considerar que não há provas suficientes para prosseguir com o processo, pode decidir arquivá-lo, o que não foi o caso, daí este processo-crime ser remetido para julgamento.

O despacho sobre o processo 3846/025 refere que os arguidos estariam a preparar um golpe de Estado em Angola, e pretendiam capturar activos económicos nacionais em troca do apoio a forças da oposição ao governo.

Os cidadãos russos Igor Ratchin Mihailovich e Lev Matveech Lakstanov são acusados da prática de 11 crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no país e retenção de moeda.

Já o jornalista Amor Carlos Tomé é acusado de nove crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência e burla.

Francisco Oliveira "Buka Tanda", secretário para a mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, responde por cinco crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa.

Segundo a acusação, o arguido Amor Carlos Tomé estaria a recrutar jornalistas para difundirem em massa nos jornais impressos e online, rádios privadas, páginas do Facebook, grupos de WhatsApp, falsas informações, que segundo a acusação, serviriam para a criar no País um sentimento de insegurança e repulsa pela actual governação.

A acusação diz ainda que os arguidos russos também pretendia financiar a UNITA nas eleições de 2027.

Os quatro homens foram detidos em Agosto, em Luanda, na sequência da greve organizada, no final de Julho, por taxistas, para protestar contra a subida do preço dos combustíveis e o aumento das tarifas dos transportes públicos, que resultou em actos de vandalismo.