Dados dos residentes, confirmados pelas autoridades esta manhã, dão conta de que a mina foi descoberta há menos de seis meses, e os ecos de que nela se extraía ouro facilmente e em grandes quantidades atraiu a maioria dos jovens para o garimpo ilegal.

Segundo relatos, desta mina saíam mais de 300 gramas de ouro de uma só vez, ao contrário das outras minas ilegais da província, onde é preciso garimpar muito extrair 10 gramas.

Entretanto, a população de Nambuagongo contou ao Novo Jornal que esta mina de Missaxi foi descoberta há menos de seis meses, embora a exploração ilegal deste metal precioso na aldeia de Kana-Kassala seja antiga.

O Novo Jornal soube que, nos últimos tempos, o garimpo ilegal de ouro a nível da província do Bengo cresceu bastante e que muitas minas, outrora desactivadas pelas autoridades, voltaram a ser ocupadas pelos garimpeiros, sob o olhar silencioso das autoridades policiais.

Porém, novas zonas de exploração ilegal de ouro surgiram nos últimos meses, entre elas a de Missaxi, cujo proprietário do hectare de terra, ao aperceber-se da invasão dos garimpeiros no seu terreno, reportou o caso às autoridades, mas sem sucesso.

Joaquim Moniz de Andrade, activista social natural do Nambuagongo, perdeu cinco pessoas da sua família nesta tragédia e contou ao Novo Jornal que muitos jovens da aldeia de Kana-Kassala já tinham abandonado a prática de exploração ilícita de ouro, por sr muito cansativa e pouco rentável, mas foram atraídos por informações de que a nova mina de Missaxi era fértil e próspera, pois havia muitos compradores de ouro na região.

"Foi assim que muitos, na madrugada de sexta-feira, após planeamento, decidiram ir fazer garimpo ilegal naquela mina, o que terminou em tragédia", contou este activista.

Segundo Joaquim Moniz de Andrade, dirigentes políticos e altas patentes das forças de defesa e segurança estão por de detrás do aliciamento da juventude para a prática do garimpo ilegal em Nambuagongo nos últimos tempos.

"Quem alicia a juventude para a prática ilícita de ouro são as pessoas com poder financeiro. E em Missaxi não foi diferente", explicou.

Segundo Joaquim Moniz de Andrade, que acompanha com preocupação há algum tempo a exploração ilegal de minerais a nível da província do Bengo, têm aparecido em muitas aldeias do Bengo altas patentes das forças de defesa e segurança como comerciantes de ouro e a oferecer grandes propostas aos camponeses para a extracção de ouro.

Conforme Joaquim Moniz de Andrade, a mina de Missaxi foi descoberta muito recentemente e passou a ser a mais cobiçada da província do Bengo.

Após o proprietário do terreno se aperceber da invasão dos garimpeiros, informou as autoridades, que, por sua vez, passaram a desaconselhar esta prática, mas, movidos pela informação de que da mina saía ouro em grandes quantidades, a população invadiu o espaço para exploração deste metal precioso.

Segundo as autoridades administrativas da província do Bengo, a repressão, por si só, não tem sido suficiente, pois os garimpeiros acabam por regressar às mesmas práticas nos locais proibidos.

O Novo Jornal soube que a exploração ilegal de ouro a nível do Bengo tem ganhado proporções alarmante, num fenómeno nunca antes vistos e que desafia a capacidade de resposta das autoridades.

Muito recentemente, o secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Correia Victor, disse ser necessário criar mecanismos para "um combate cerrado à exploração ilegal de ouro no País".

Segundo Jânio Correia Victor, o garimpo de ouro tem provocado muitos problemas ambientais, sobretudo na poluição de água e danificação de recursos florestais.

Sobre a tragédia da mina em Nambuagongo, o Governo Provincial do Bengo apresentou condolências às famílias enlutadas e prometeu ajudá-las com as despesas do funeral, que acontece esta terça-feira,26.

Segundo as autoridades do Bengo, mais de 700 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, foram detidos nos últimos meses apanhados na prática ilegal de exploração de ouro.