O processo em que o administrador da Sonangol está a ser investigado pela PGR angolana resulta de um alegado esquema com ligações entre a Sonair e a portuguesa TAP, quando Luís Ferreira do Nascimento Maria integrava a administração da companhia aérea da petrolífera nacional, tendo este esquema sido utilizado para branquear cerca de 25 milhões de dólares através de falsos pagamentos à portuguesa TAP.

O nome do novo administrador da Sonangol, nomeado logo após a exoneração da administração de Isabel dos Santos, foi avançado como estando sob investigação, pelo PGR angolano, João Maria de Sousa, quase a deixar o cargo face ao aproximar do seu jubilado, numa recente conferência de imprensa onde falou, como raramente tinha feito nos anos em que está no cargo, dos mais importantes casos que a Procuradoria tem em mãos.

Este caso, como o Novo Jornal Online noticiou na ocasião, referente à existência de um processo na PRG portuguesa envolvendo o alegado esquema de branqueamento de capitais entre a Sonair e a TAP, surge agora citado no âmbito da cooperação judiciária internacional - Angola/Portugal - em matéria penal que a PGR angolana sublinha ter origem em Lisboa.

Este inquérito na PRG portuguesa "deu origem à instauração de um processo em Angola e esse processo está a dar os primeiros passos", notou João Maria de Sousa na referida conferência de imprensa.

O PGR sublinhou que este processo vai evoluir através de um pedido de cooperação da parte portuguesa até porque, como opróprio sublinhou, trata-se de um caso muito importante porque envolve somas elevadas, neste caso aproximadamente 25 milhões de euros.

"A determinação do seu caminho passará também pelo pedido de cooperação judiciária a Portugal, que terá que nos enviar uma série de elementos mais. É um processo para ser levado a sério porque envolve, como referem as autoridades portuguesas, mais de 25 milhões de euros. É um caso a ser tratado com seriedade", descreveu o PGR.

Por detrás deste esquema, como o Novo Jornal Online também noticiou à época, estão pagamentos feitos pela Sonair à TAP por trabalhos de manutenção de aeronaves que nunca foram realizados, pelo menos até 2013, sendo as somas movimentadas através de elaborados esquemas em offshores.

O Ministério Público português já tinha, no passado mês de Agosto, pedido à PGR angolana informações sobre nomes ligados à Sonangol, sendo o agora administrador executivo da Sonangol visado neste processo como tendo alegadamente recebido cerca de 2,5 milhões de euros em comissões no negócio.

Neste processo estão, pelo menos nas instâncias portuguesas, vários nomes importantes e com ligações, no passado, à Sonangol, incluindo o seu ex-PCA, Manuel Vicente, também ex-Vice-Presidente da República.