Quem elege as suas batalhas deve saber escolher as armas. Sendo sábio, como dizia Sun Tzu, terá sempre em conta as vantagens e desvantagens. O pacto de estabilidade e de reconciliação nacional recentemente abordado é uma dessas batalhas que tinha, de forma simplista, uma mensagem implícita: sentemo-nos à mesma mesa, porque a casa precisa de arranjos. O gigante, aos olhos de muitos, ouviu durante uma hora. Inclinou a cabeça. Sorriu com um sorriso que não chega aos olhos. Coçou a ponta da gravata. Depois, um exército de fundibulários redigiu uma nota de imprensa onde se lia, com todas as letras, que não há necessidade de pacto nenhum porque o país, afinal, está em paz desde 2002 e com eleições regulares.
Não foi um claro xeque-mate, apenas ainda um xeque, pois há ainda uma outra tentativa na casa das leis cujo desfecho é já sabido. A nota de imprensa explicou que pactos só se fazem em contextos de transição, ruptura ou crise institucional grave. E como Angola, segundo a mesma nota, não vive nenhuma dessas coisas, então está tudo bem, obrigado, fechem a porta ao sair.
Há caminhos que são estradas asfaltadas e há caminhos que são estradas abertas onde o asfalto é só uma vaga lembrança. A máquina bem oleada escolhe o asfalto. O homem da zagaia não tem muita escolha. Abre a picada com as mãos, com as ferramentas deficitárias. Às vezes a picada não leva a lado nenhum. Às vezes o mato fecha atrás e ninguém viu a passagem. Mas o homem da zagaia continua. Não porque acredite que vai vencer a máquina. Mas porque desistir é deixar a máquina ainda mais oleada.