A informação foi avançada ao NJOnline por estudantes que estão a ver as suas candidaturas rejeitadas, afirmando estes que não existe transparência no processo de transferência das antigas escolas para o Magistério Mutu Ya Kevela.
Tratam-se de estudantes das antigas escolas de formação de professores dos magistérios primários Garcia Neto e António Jacinto que deixaram cadeiras por fazer nos anos anteriores a 2017 e que repetiram o ano em 2018.
"Não estamos a ser aceites este ano por falta de vagas no Muto Ya Kevela e não sabemos as razões", contaram os estudantes insatisfeitos.
Margarida Rodrigues, que estudou no magistério Garcia Neto, disse que fez as cadeiras em atraso no ano passado e que este ano confirmou as matrículas na mesma escola por orientação da direcção que alegou que seriam todos transferidos para o Magistério Mutu Ya Kevela, coisa que não está acontecer.
"Disseram-nos que as listas sairiam no dia 28 de Janeiro e até hoje não nos dizem nada. Não somos estudantes fantasmas, somos apenas estudantes que reprovaram por varias razões, e não entendo os motivos que levam a direcção do Muto a não querer atender a nossa situação", disse a estudante.
"Só queremos voltar a estudar e mais nada. Já estamos há um mês nessa correria, o ano lectivo já arrancou e a direcção do Mutu fez sair as listas na segunda semana deste mês, onde os nossos nomes não constam", notou.
Adérito Quibeni, outros dos alunos nesta situação, disse ao NJOnline que são mais de 300 estudantes que vão para a escola "todos os dias"para ver se têm alguma lista afixada mas o que encontram é "a expulsão como animais".
Adilson Paulo, outro estudante na mesma situação, disse não encontrar nenhuma explicação racional para o que se passa e que o Magistério Mutu Ya Kevela está a criar dificuldades quando as coisas estavam bem estruturada nas anteriores escolas que frequentavam.
"A direcção do Mutu manda-nos ir resolver a situação nos nossos anteriores Magistérios e lá dizem que eles já não têm nada a ver connosco, porque tudo está na responsabilidade da direcção do Mutu Ya Kevela, e isso esta a ser muito cansativo para nós porque corremos o risco de nem sequer conseguirmos entrar na escola para continuar os estudos", lamenta.
Direcção do Mutu justifica situação
Em reacção às críticas dos alunos, a directoria-geral do Magistério Mutu Ya Kevela, Catarina dos Reis, afirmou que os alunos que não constam das listas afixadas são aqueles estudantes que não frequentaram o ano lectivo 2018, fazendo cadeiras em atraso, e os que reprovaram em todas as disciplinas.
"Os alunos estão identificados e já reunimos com eles a explicar os motivos porque não constam das listas do ano lectivo 2019", garantiu, acrescentando que "não constam porque são alunos que têm maior idade", informou ainda Catarina dos Reis ao NJOnline.
A dade estabelecida para a 10ª classe é de 15 a 16 anos e nós aqui ainda aceitamos até aos 18, a 11ª classe é para alunos entre os 16 e os 18 anos, a 12ª classe é com 19 e 20 anos e a 13ª classe abrange alunos até aos 23 anos.
Segundo a responsável, muitos dos estudantes que não constam das listas são aqueles que não estudaram no ano lectivo 2018 ou que têm cadeiras em atraso de 2017 e que, apesar de as terem concluído em 2018, já ultrapassaram a idade limite imposta para o ingresso na escola.
Outro problema é o que vivem os alunos com mais idade e que reprovaram porque são preteridos pelos que tiveram bom aproveitamento e, ainda são passados à frente pelos alunos que, embora tenham reprovado, estão dentro da idade previamente estabelecida como limite para aquela classe.
Catarina dos Reis afirmou ao NJOnline que as salas de aulas do Magistério Mutu Ya Kevela têm a capacidade para 35 alunos e os estudantes que não fazem parte das listam têm mesmo que aguardar uma eventual oportunidade, que não explicou.
Questionada porque não foram esses estudantes transferidos para a período nocturno, a directoria-geral do Magistério Mutu Ya Kevela respondeu que não é possível fazê-lo porque as aulas práticas apenas têm lugar no período diurno.
"O nosso trabalho esta concluído, entendo a aflição destes alunos, mas devem ter calma. No próximo ano vamos fazer o que for possível no sentido de resolver estes problemas", embora tenha frisado que a questão da idade é determinante.
De referir que a formação de professores em Luanda para o ensino pré-escolar, primário e do primeiro ciclo do ensino secundário é unicamente da responsabilidade do Magistério Mutu Ya Kevela e do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED).
Esta decisão foi oficializada através do Decreto Presidencial 205/18, de 3 de Setembro, que extinguiu as escolas do Magistério Primário Garcia Neto e António Jacinto.
