A EPAL reconhece dificuldades no fornecimento e diz que a Estação de Tratamento de Água de Candelabro (fase III), apesar de já estarem concluídas as obras, ainda funciona com limitações.

Sobre os roubos dos contadores na Urbanização Nova Vida, a EPAL assegura que foi forçada a restringir o abastecimento nos prédios afectados de modo a evitar o desperdício de água.

Entretanto, vários bairros e municípios da província de Luanda estão sem água da rede pública há semanas e outros há meses. Sem alternativas, os cidadãos, desesperados, recorrem aos motoqueiros, mais conhecidos como "kupapatas", para conseguir um bidão de 25 litros, cujo preço varia entre os 50 e os 150 kwanzas.

Nos bairros da Samba, parte do Prenda, Viana, Cacuaco, Tala Hady, Madeira, Cazenga Popular, Cassequel, Terra Vermelha, Avó Kumbi, Golf I e II e tantos outros, os munícipes estão sem água há semanas.

Moradores destas zonas disseram ao Novo Jornal que estão cansados de gastarem tanto dinheiro, diariamente, para aquisição de bidões de água.

Teresa Fausto, moradora do Tala Hady, disse ao Novo Jornal estar agastada pelo facto de o seu bairro estar há meses sem água.

" A EPAL, infelizmente, não se pronuncia e tudo fica assim. Mas tenho a certeza que antes de Agosto vamos ter água nas torneiras porque já nos habituaram a isso", lamentou.

Ramos António, na Samba, disse que há três semanas que o seu bairro está sem o fornecimento de água, complicando em grande escala a vida dos munícipes.

No Golf I e II, os moradores dizem que percorrem longas distâncias para conseguirem água.

Quem muito lucra com a falta de água nos bairros de Luanda são os "kupapatas", que desde as primeiras horas do dia vão passado nas ruas e nas avenidas a comercializarem o bidão de 25 litros entre os 50 e os 100 kz, mas isso vária em função da procura e da escassez. Há dias em que o bidão de 25 litros chega aos 150 ou 200 kwanzas.

Ao Novo Jornal, o porta-voz da EPAL, Vladimir Bernardo, disse que Luanda tem agora, com a conclusão da fase III da Estação de Tratamento Candelabro, 150 mil metros cúbicos de água por dia, o que é ainda insuficiente.

Segundo Vladimir Bernardo, este número é hoje maior em comparação com os funcionamentos da fase I e II, em algumas zonas como Mulenvos e zona industrial de Viana e Centralidade do Sequele.

Segundo o porta-voz, a EPAL tudo está a fazer para colocar a fase III em funcionamento pleno, nos próximos dias.

Quanto à escassez de água nos bairros como Futungo, Samba, Coreia e arredores, Vladimir Bernardo disse ser em função de uma ruptura na zona do Costa do Sol.

Em relação ao vandalismo de 47 contadores na Urbanização Novo Vida, a EPAL confirma que foi forçada a restringir o abastecimento de água em nove prédios afectados, de modo a evitar o desperdício de água.

O Novo Jornal sabe que, devido às vandalizações, foi realizado um encontro no domingo, entre moradores do projecto Nova Vida e a direcção de Energia e Águas do Kilamba Kiaxi, com a presença da Polícia Nacional, visto que o roubo de contadores tem aumentado nos últimos dias.