Quando estava ainda para sair do nº 123 da Avenida Martin Luther King, onde está o edifício da Nunciatura Apostólica, onde pernoita nas três noites que vai passar em Angola, no Kilamba já largos milhares de pessoas se concentravam para o esperar.

Na homilia desta missa campal, e depois de no Sábado, 19, logo após ter chegado ao antigo aeroporto de Luanda, o 4 de Fevereiro, o Papa fez jus à sua missão, que deixou claro ser estar ao lado dos pobres, oprimidos e dos mais fracos.

Perante o corpo diplomático, autoridades nacionais e sociedade civil, Leão XIV apontou baterias aos mesmos de sempre, destacando a necessidade de Angola se defender da lógica extractivista que tanto sofrimento e morte provoca para de seguida desafiar os mais jovens para construirem "um projecto de esperança, um país livre de escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias".

É este o patamar de expectativas que cresce entre os milhares de pessoas que desde as primeiras horas da madrugada se encaminham para o local da missa campal, que se espera gigantesca na moldura humana e enorme nas mensagens para o mundo, para África e para os angolanos.

Naturalmente, o Pontífice deixará igualmente, e de novo, uma palavra para as vítimas das cheias em Benguela e em Luanda, apelando à solidariedade.

Mas, até porque o Papa escolheu para Angola o lema "Peregrino da Esperança, da Reconciliação e da Paz", Leão XIV não deixará ainda de se debruçar sobre o que falta fazer em Angola no âmbito da reconciliação nacional que, como a Conferência Episcopal (CEAST) tem sublinhado, ainda está por concluir desde que o conflito armado terminou em 2002.

E a paz não faltará no "menu" das mensagens mais abrangentes, como, de resto, tem feito desde que chegou a Argel, na Argélia, para este périplo africano, e também depois, nos Camarões, onde deixou cair a lâmina verbal da paz sobre o "punhado de tiranos" que em todo o mundo geram sofrimento e morte com as suas guerras de cobiça.

Naturalmente, como poderá voltar a acontecer, mesmo depois de ter dito no avião entre os Camarões e Luanda, que está em África para "encorajar a esperança e não debater com Donald Trump", sem se referir ao nome do seu conterrâneo, o Presidente dos EUA, que tem criticado fortemente Leão XIV pela forma como este se bate pela paz no Médio Oriente, o Papa desfiará o seu "rosário" de críticas à forma como tarda a feitura da paz entre o Irão e os EUA, mesmo que não fale sobre esse conflito em particular.

Depois da missa campal, agendada para as 10:00 deste Domingo, 19, o Papa voa para o Santuário da Muxima, na vizinha província do Icolo e Bengo.