O Governo privatizou apenas 54% de empresas e activos dos 178 previstos no Programa de Privatizações (PROPRIV), calculou o Novo Jornal aos dados disponibilizados pelo secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos.
De forma global, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), entidade gestora do PROPRIV, transferiu para esfera privada um total de 96 activos e participações do Estado, quando inicialmente estava prevista a privatização de todos os activos até 2022.
Conforme a nossa observação, o programa, que, à partida, em quatro anos (2019-2022) colocaria 178 activos e participações do Estado nas mãos de privados, conta com 82 bens por privatizar, representando 46% de incumprimento da meta estabelecida pelo Executivo.
Como assinalam os dados, dos 961 mil milhões contratualizados no âmbito das privatizações, o Estado ainda não recebeu 394 mil milhões de kwanzas, cerca de 40%, encaixando até ao momento 567 mil milhões de kwanzas, como avançou à imprensa o secretário de Estado das Finanças e Tesouro, na segunda-feira, 09, no final da 2.ª Reunião Interministerial do PROPRIV.
No que toca ao incumprimento da meta das privatizações, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, há dois, em declarações à imprensa, já adiantava a irrealidade de se conseguir alcançar o objectivo preconizado nos timings estabelecidos, garantindo que, "na grande maioria, vamos ainda conseguir concluir a privatização. Num número mais reduzido dos casos, não vamos, provavelmente, conseguir neste dois anos a privatização", disse a ministra, ao justificar que se trata "de ofertas públicas inicias, nalguns casos de grandes empresas públicas que estão sob saneamento e em reestruturação, como é o caso da SONANGOL e da ENDIAMA, em que, certamente, o processo de privatização levará mais tempo".
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