Em conferência de imprensa para abordar as privatizações em Angola, o terceiro vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Olívio N' Kilumbo, disse que, em Fevereiro de 2026, o incumprimento no PROPRIV supostamente atingiu 110,5 mil milhões de kwanzas, um aumento de 53% face a Dezembro de 2025.
"Se os contratos tivessem sido integralmente cumpridos, o Estado teria arrecadado 472 mil milhões de kwanzas pelas 121 empresas já privatizadas", referiu.
"O consórcio proprietário da fábrica de cimento (Griner, Cimenfort e Mercons) concentra 82% do incumprimento global, com uma dívida de 90 mil milhões de kwanzas, tendo justificado o atraso com alegadas dificuldades processuais, apesar de o contrato exigir o pagamento da primeira tranche 45 dias após a assinatura", acrescentou.
Segundo o Grupo Parlamentar da UNITA, "uma das questões mais determinantes em qualquer processo de privatização é a identificação dos novos proprietários dos activos públicos".
"Sucede que, em muitos casos, os activos privatizados são adquiridos por um número reduzido de grupos económicos, reforçando estruturas de mercado já fortemente concentradas. Acresce a necessidade de divulgar a identidade dos beneficiários efectivos, a estrutura societária dos investidores e a origem dos fundos utilizados nas aquisições", referiu, salientando que a ausência dessa informação inviabiliza o escrutínio público e alimenta suspeitas fundadas sobre a equidade e a lisura do processo.
O deputado referiu que o País está no segundo semestre de 2026, com um agravamento das preocupações em torno do rumo da economia nacional, num momento em que o calendário político conduz, "inevitavelmente", a um balanço do desempenho do Executivo e do cumprimento das promessas eleitorais, do Presidente em fim de mandato, e a menos de 13 meses das eleições gerais.
Na opinião da UNITA, o PROPRIV constitui "uma das mais relevantes reformas económicas dos últimos anos" e deve servir para aumentar a eficiência económica, fomentar o investimento privado, gerar emprego, melhorar a competitividade e reduzir o peso do Estado em sectores onde a iniciativa privada pode actuar com maior eficácia.
Para a UNITA, a alienação de activos públicos em sectores estratégicos coloca em evidência uma questão mais ampla: a da soberania económica.
O deputado afirmou que o PROPRIV se encontra em execução, abrangendo empresas de diversos sectores estratégicos - banca, indústria, agricultura, logística, transportes, comércio, turismo e serviços.
Não obstante os avanços formais, segundo o deputado, "persistem preocupações graves quanto à transparência de muitos processos, à divulgação dos critérios de selecção de investidores, à avaliação dos activos e ao acompanhamento pós-privatização".
"Nos últimos anos, o Estado angolano tem implementado um vasto programa de alienação de activos públicos no âmbito do PROPRIV", declarou.
Lançado em 2019, o programa foi actualizado em 2026 através do decreto presidencial 36/26, de 24 de Fevereiro, que redefiniu a lista de empresas e activos a privatizar ou a retirar do programa.
Segundo dados do Ministério das Finanças, o Estado terá arrecadado mais de 750 mil milhões de kwanzas com a alienação de activos públicos.














