Com 28,5 milhões de barris exportados em Fevereiro, a fasquia de 1 mbpd parece estar a consolidar-se como a referência persistente para a produção angolana de crude, muito longe dos 1,8 mbpd registados em 2008, um recorde absoluto.
E não é que o Executivo de João Lourenço não tenha procurado incentivar as companhias a investir mais na pesquisa e produção, desde logo, no seu primeiro mandato, com a criação de legislação específica para os poços de produção marginal, embora sem os resultados esperados com essa iniciativa legislativa.
Há, todavia, resultados interessantes, já mais recentemente, como a divulgação, em Fevereiro deste ano, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), da descoberta de um poço com potencial de 500 milhões de barris, no bloco 15/06, operado pela Azule Energy, com a SSI Fifteen Limited e a Sonangol E&P como parceiros.
Enquanto esta descoberta não se junta à soma global da produção nacional, Angola mantém uma média diária muito próxima da fasquia do 1 mbpd, longe das expectativas do Executivo mas visto pelos analistas como indício de capacidade de resiliência depois de alguns anos de pressão negativa devido ao excesso de oferta nos mercados internacionais.
Situação que neste momento não se verifica devido ao conflito deflagrado pela coligação israelo-americana contra o Irão, que levou este país a fechar o estratégico Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, por onde passam 20% do crude mundial.
O que não permite a Angola maximizar proveitos pela via do aumento da produção, embora isso se esteja a verificar via subida substantiva do valor do barril nos mercados, embora isso possa ser uma faca de dois gumes porque também encarece as importações de combustíveis que o país ainda realiza em grande medida e também porque toda a fileira das importações é afectada, incluindo o preço dos transportes.
Em pano de fundo está extraodinária relevância do sector petrolífero para a economia nacional. Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.
E nesta quinta-feira, 27, perto das 14:50, hora de Luanda, o barril de Brent, a referência de topo para as exportações nacionais, estava a valer 106,3 USD, uma subida de mais de 4,1 % face ao fecho da sessão anterior, um valor cerca de 45 USD acima dos 61 USD usados como média para elaborar o OGE 2026.
É neste contexto que a ANPG relata, em documento hoje divulgado, que a produção de petróleo em Angola durante o mês de Fevereiro correspondeu a 28,15 milhões de barris, o que compreende um média diária de pouco mais de um milhão de baris por dia.
No mesmo período, a produção de gás associado foi de 72,3 milhões de pés cúbicos, correspondente à média diária de 2,5 milhões de pés cúbicos (MMSCFD), segundo a ANPG.
Segundo o boletim mensal da concessionária nacional, a fábrica Angola LNG produziu, em Fevereiro, 4.212.515 barris de óleo equivalente (BOE), contra os 4.373.068 barris previstos, o que representa uma redução de 3,7% correspondendo à média diária de 150.447 barris. A produção foi distribuída por 128.652 barris de óleo equivalente por dia, 9.814 de propano, 7.135 de butano e 4.846 de condensados.
Na Associação de Cabinda, a produção de LPG foi de 212.188 barris, equiivalendo a uma média diária de 7.578 barris, divididos pela produção de propano de 4.368 barris, 2.859 barris de butano e 351 barris de gás liquefeito de petróleo.
Em Fevereiro, ainda segundo o comunicado, os levantamentos de Angola foram de 27.456.283 barris, o que equivale a uma média diária de 980.581 barris de petróleo, contra os 708.816 previstos.
A concessionária fez um levantamento de 3.754.145 barris, sendo 3.317.824 para exportação e 436.321 para entrega à refinaria, o correspondente a 14% do total dos levantamentos.
A Sonangol UNEP fez o levantamento de 3.773.496 barris, todos exportados, que correspondem a 14% dos levantamentos, e a Sonangol 1.454.923 barris, também todos exportados, correspondendo a 5% dos levantamentos.

