O preço por acção foi estabelecido entre 36.036 e 40.040 kwanzas, para um total de 7,5 milhões de títulos disponíveis, sendo um milhão reservado aos trabalhadores da empresa, enquanto 6,5 milhões serão colocados à disposição do público investidor, incluindo investidores estrangeiros.
O valor final será determinado em função da procura registada durante o período de subscrição.
A operação será realizada na Bolsa de Dívida e Valores de Angola, através de uma Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla inglesa), segundo o despacho presidencial que determinou a operação, publicado em Diário da República, e que delegou poderes ao Ministério das Finanças para avançar com o processo.
Os investidores poderão adquirir as acções através de bancos de investimento, sociedades correctoras e outras instituições financeiras autorizadas a operar no mercado de capitais angolano.
Entretanto, vários analistas económicos acreditam que a entrada da UNITEL na bolsa será um marco histórico para o sector das telecomunicações em Angola, visto que, pela primeira vez, uma operadora de grande dimensão ficará sujeita ao escrutínio directo dos investidores e às regras do mercado de capitais, o que exigirá maior transparência, prestação de contas e boa governação corporativa.
A UNITEL pertence actualmente ao Estado, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e da Sonangol, depois de, em Outubro de 2022, terem sido nacionalizadas as participações de 25% da Vidatel e de 25% da Geni na operadora de telecomunicações, que eram detidas pela empresária Isabel dos Santos e pelo general Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino". Os restantes 50% eram controlados pela petrolífera estatal Sonangol.
Em 2020, a Sonangol comprou a PT Ventures, empresa que controlava 25% da UNITEL e que pertencia à brasileira Oi (participação originalmente detida pela portuguesa Portugal Telecom), por 939 milhões de dólares.
Com mais de 21 milhões de clientes, a UNITEL é uma das maiores empresas de Angola e uma das marcas mais relevantes do sector das telecomunicações, sendo a sua entrada em bolsa considerada um marco para o desenvolvimento do mercado de capitais do País.
