Alguns, como a Nigéria, já anunciaram mesmo que estão a preparar um mecanismo de repatriamento dos seus cidadãos sujeitos a perseguição e maus tratos após os ataques repetidos e que já duram há semanas.
Os focos principais das agressões em território sul-africano são as províncias de KwaZulu-Natal, cuja capital é Durban, e geografia originária do povo Zulu, e em Gauteng, onde estão dois dos principais polos urbanos do país, Joanesburgo e Pretória, a capital, e têm ainda como alicerce (ver foto) a denominada "Operação Dudula - Operation Dudula", um movimento anti-imigrantes de base racista e xenófoba, que aposta na culpabilização dos estrangeiros pelos problemas económicos e sociais da África do Sul.
Apesar deste tipo de ocorrências de teor xenófobo não ser raro na África do Sul, com a pobreza, desemprego e inflação descontrolados a servirem de combustível, neste momento é nas áreas de maioria ou forte concentração Zulu que incidem mais.
Por detrás deste movimento racista assente no povo Zulo, mas que obtém evidente e alargado apoio nas restantes comunidades sul-africanas, estão os discursos inflamados do Rei Misuzulu Zulu, que é o actual líder da Nação Zulu, marcados pela exigência de expulsão dos estrangeiros.
O foco destes discursos é a ligação, nunca provada e sem fundamento nos diversos estudos sociológicos conduzidos por ONG no país, que os líderes zulus e outros nacionalistas, fazem entre as dificuldades sociais e económicas e a população migrante.
Embora hoje esse foco esteja mais concentrado na comunidade nigeriana ou tanzaniana, estão bem presentes na memória os ataques mortíferos, nalguns casos mesmo aterradores, contra os imigrantes moçambicanos com destaque para 2008 e 2015.
Face a esta sucessão de ataques, que já dura há semanas, existe agora o receio de que ocorra uma escalada descontrolada porque, como referem alguns analistas, não se percebe que as autoridades do país estejam empenhadas em manietar estes excessos nacionalistas.
Até porque o Governo liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa, do ANC, mostra cada vez mais estar sem soluções e já aconteceu mesmo alguns dos seus membros alinharem em discursos alinhados com a culpabilização dos estrangeiros pelos problemas sociais e económicos na África do Sul.
Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Bianca Odumegwu-Ojukwu, o país já registou centenas de cidadãos nacionais na África do Sul que querem regressar à Nigéria devido ao medo de serem atacados.
O Governo de Abuja já condenou mesmo publicamente a escalada da violência xenófoba contra nigerianos e outros africanos na África do Sul, sublinhando serem "intoleráveis os discursos e a retórica xenófoba, discursos de ódio e manifestos anti-imigrantes" no país de Nelson Mandela que tanto deve aos vizinhos a libertação do regime do apartheid.
Tanto a Nigéria, como o Gane e a Tanzânia já chamaram os embaixadores sul-africanos para darem explicações sobre esta onda de violência xenófoba.
Neste período de apenas algumas semanas já há registo de dezenas de mortos, entre estes quatro etíopes, sendo que é sobre nigerianos, tanzanianos e ganeses que, ao que tudo indica, se concentram as acções mais violentas.
Actualmente vivem na África do Sul perto de 3 milhões de migrantes legalizados, menos de 4% da população de mais de 50 milhões, embora não exista um número concordante para os ilegais no país, sabendo-se, porém, que são bastantes.
Nesta vaga de violência não há registo de qualquer ataque a cidadãos brancos, sejam eles migrantes ou sul-africanos de origem ancestral europeia.
Não há, igualmente, sinais de que a comunidade angolana na África do Sul seja alvo de perseguição específica nem casos conhecidos de ataques, feridos ou mortos...
A Embaixada da República de Angola na África do Sul está a acompanhar com atenção as recentes manifestações e situações de tensão social registadas naquele país, de acordo com informações da embaixada angolana em Pretória.
Todavia, as autoridades angolanas aconselharam os nacionais naquele país a evitarem a presença em locais de concentrações ou manifestações anunciadas, deslocações desnecessárias por esta altura e que sejam respeitadas as indicações das autoridades sul-africanas.
As autoridades angolanas apelam à calma e prudência, recomendando aos cidadãos que evitem deslocações desnecessárias, sobretudo para zonas onde se verificam manifestações.






