Segundo Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, momentos antes dos primeiros ataques, esta operação militar conjunta e coordenada visa decapitar o regime iraniano, matando os seus líderes, para que o povo iraniano tome o poder em mãos.

Para já, tal objectivo falhou, como o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, veio dizer numa publicação no X, garantindo que a estrutura de poder no país, sejam os comandantes militares, o Presidente Massoud Pezeshkian e o Supremo Líder, aiatola Ali Khamenei, saíram ilesos desta inicial campanha de bombardeamento no Irão.

Foram atingidos, todavia, mais de três dezenas de locais no extenso território iraniano, que é do tamanho da Europa Ocidental e tem mais de 90 milhões de habitantes, incluindo uma escola primária feminina em Minab, na província setentrional de Hormusgão, onde os misseis israelo-americanos mataram 63 crianças, deixando perto de 100 feridas gravemente.

O maior "sucesso" desta operação militar até ao momento, apesar de ser uma guerra injustificada, com Trump, estranhamente a dizer que visa para proteger vidas norte-americanas, o que só se percebe se forem os militares nas bases dos EUA na região ou nos navios de guerra nos mares da região, foi esta tragédia na escola primária feminina de Minab, no sul do Irão.

"O prédio destruído é uma escola primária para meninas no sul do Irão. Foi bombardeado em plena luz do dia, quando estava lotado de alunas", disse Abbas Aragghchi, numa publicação no X.

Questionado sobre o ataque, o porta-voz do CENTCOM, onde é coordenada esta operação militar, Tim Hawkins, disse optou por uma declaração formal antecipadamente preparada e sem qualquer relevância "Estamos cientes dos relatos de danos a civis resultantes de operações militares em andamento e estamos a investigar".

Entretanto, como avança a Lusa, o Irão anunciou este Sábado, 28, primeiro dia do que se espera seja uma longa e desgastante guerra, que todos os líderes estavam vivos, incluindo o guia supremo, Ali Khamenei, após informações de que teriam sido alvo dos ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel.

O Supremo Líder Khamenei continua vivo "tanto quanto sei", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.

"Todos os altos responsáveis estão vivos. Portanto, todos estão agora nos seus postos e estamos a gerir a situação", acrescentou, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Entretanto, o Irão, como prometera nas semanas que antecederam estes esperados ataques, está a ripostar contra Israel e as dezenas de bases que os EUA possuem no Médio Oriente.

Há relatos de misseis a explodir nas bases norte-americanas do Catar, Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita... e em Israel. (ver links em baixo)

Para já, o Irão não atingiu a infra-estrutura petrolífera da região e o estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, e por onde passam mais de 20 milhões de barris de crude por dia, mais de 20% do total consumido no mundo, está aberto, embora os analistas admitam que o seu encerramento só terá lugar na segunda-feira de manhã para obter maior impacto nos mercados internacionais.

Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir de emergfência nas próximas horas em Nova Iorque, onde este criminoso ataque deve ser um dos temas sobre a mesa, depois de o Secretário-Geral, António Guterres, ter condenado os ataques israelo-americanos sobre o Irão mas também a resposta iraniana sobre as bases dos EUA na região e Israel.

Estes países estão ainda a sofrer de forma colateral porque há dezenas de milhares de pessoas, muitos dos quais turistas, que estão a abandonar a região, sendo que na maior parte dos casos, como acontece também com Angola, são os seus respectivos Governos que pedem a sua saída e avançam com planos de repatriamento de urgência devido ao risco evidente que os seus cidadãos enfrentam.