Esta operação militar, com unidades especiais das Forças Armadas dos EUA, com recurso a bombardeamentos pela força aérea e a entrada na capital bolivariana de um número não conhecido de operacionais, ao que tudo indica teria o propósito de eliminar as principais figuras do regime chavista.

Tal não terá sido conseguido, porque o segundo homem mais relevante neste contexto, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino Lópes, já apareceu a garantir que o poder estava sob controlo, embora existam rumores nas redes sociais e alguns media ocidentais que entre os militares terá havido cumplicidade com este "golpe".

E o procurador-geral da República já anunciou que vai recorrer às instâncias internacionais para acusar os EUA pelo "sequestro" do Presidente Nicolas Maduro, enquanto, além fronteiras, o golpe norte-americana está a ser globalmente condenado, embora no ocidente se condene com um "mas" à frente sob a alegação de que o poder na Venezuela é ilegítimo devido à ausência de lisura nas eleições.

Entre os aliados mais próximos de Caracas, como a Rússia, que tem nesta intervenção dos EUA na Venezuela, um alívio exta para a sua própria invasão na Ucrânia, a China, Cuba, o Irão e, entre outros, a Bolívia, referem um "brutal atropelo ao Direito internacional" acusando Washington de perseguir uma "política criminosa".

E, ao mesmo tempo, em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, apressou-se a vir dizer que não havia mais intervenções planeadas depois de retirar Maduro e a sua mulher do país, o que coincide com, como notavam os repórteres dos canais internacionais em Caracas, um estanho e denso silêncio que furava a madrugada venezuelana após esta operação norte-americana.

Entretanto, a intervenção dos EUA, que foi anunciada em primeira mão por Donald Trump, mesmo que não tenha sido uma surpresa, porque (ver links em baixo), há mais de dois meses que ao largo da Venezuela estava uma formidável Armada norte-americana liderada pelo maior porta-aviões do mundo e ninguém acreditava que tal deslocação de meios seria em vão.

E não foi. O que não é claro é se o plano de Trump de mudar o regime em Caracas conseguiu o seu efeito máximo, porque ter-se visto livre de Nicolas Maduro parace factual, estando já a caminho dos EUA, onde será julgado como narcotraficante internacional, embora essa acusação esteja longe de estar comprovada, embota seja claro para a maioria dos analistas que Washington não corre atrás da democracia em Caracas mas sim das maiores reservas de crude do mundo, mais de 300 mil milhões de barris, e dos abundantes recursos em minérios estratégicos, incluindo ouro...

E uma demonstração de que o objectivo maximalista de mudança de regime poderá ter ficado longe de ser conseguido é que a Venezuela solicitou este Sábado, 03, escassas horas após o golpe, uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Face à agressão criminosa cometida pelo Governo dos Estados Unidos contra a pátria, solicitámos uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsável por fazer respeitar o direito internacional", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yvan Gil, na aplicação de mensagens Telegram.

O Governo de Caracas denunciou uma "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.

Relatos de ataques e explosões em diferentes pontos da Venezuela começaram a circular nas últimas horas, alimentando um clima de forte tensão e incerteza, sobretudo em Caracas e em zonas com presença militar estratégica. A informação, difundida inicialmente através de mensagens privadas e redes sociais, aponta para ataques a infra-estruturas militares, edifícios oficiais e aeroportos.

Ministro venezuelano pede à população que não ajude "inimigo invasor"

Entretanto, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, pediu aos habitantes que "não facilitem as coisas ao inimigo invasor", acusando os Estados Unidos da América de um ataque "criminoso e terrorista" sobre a capital venezuelana esta madrugada.

Em imagens divulgadas pelo canal estatal VTV, Cabello surgiu rodeado de militares e pediu ainda "confiança na liderança" venezuelana perante a situação atual, com o Presidente, Nicolás Maduro, alegadamente retirado à força e detido pelos Estados Unidos.

O ministro pediu "muita calma, que ninguém desespere e que não facilitem as coisas ao inimigo invasor e terrorista" responsável pelo ataque desta madrugada.

"No fim de tudo, venceremos. Viva a pátria. Sempre fiéis, nunca traidores", exortou

Cabello frisou que "não é a primeira luta nem a primeira batalha" do regime, que tem "sobrevivido em todas as circunstâncias".

O 'número dois' do regime de Maduro questionou a comunidade internacional sobre a sua "cumplicidade perante o ataque invasor, o assassínio de civis, bombas a caírem em zonas habitacionais".

"Os organismos internacionais vão ser cúmplices deste massacre?", perguntou.

O Governo de Caracas denunciou uma "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.

É desconhecido, para já, o paradeiro de Nicolás Maduro.