Venho hoje, por isso, falar de uma dessas transformações que se desenvolvem nos sistemas informáticos, capazes de realizar tarefas com incrível velocidade de resposta ao que é solicitado, em quase todos os domínios, com enorme eficácia.

Refiro-me, concretamente, à inteligência artificial (IA) e aos impactos que pode vir a causar no futuro, particularmente depois de a directora do Fundo Monetário Internacional, Kristine Georgieva, ter-se pronunciado a este respeito numa reunião conjunta com o Banco Mundial, afirmando que a IA poderá vir a afectar 40% dos empregos a nível mundial.

Não se trata da eliminação de 40% dos empregos, mas de alterações que nuns casos melhoram muito a função desempenhada, noutros conduzem a importantes benefícios na própria qualidade prestada, reduzindo ou eliminando, porém, também muitos empregos.

As economias mais afectadas serão as mais desenvolvidas, mas as de baixo rendimento como as de África serão as que terão maiores perturbações antes de poderem utilizar de forma plena a IA.
Isto tem a ver com a insuficiência ou falta de infra-estruturas, a existência de uma população muito jovem que provoca enorme pressão no mercado de trabalho e a prevalência de uma economia informal.

Estes riscos acrescidos para África envolvem óbvias e maiores dificuldades sociais, como alerta também neste domínio a OIT (Organização Internacional de Trabalho).
Quer isto dizer, perante a incerteza no futuro deste mundo cada vez mais competitivo, que Angola, com uma população em que a idade média da é de 23 anos e metade tem menos de 18 anos, não pode deixar de articular agora, mais do que nunca, a diversificação da economia assente no sector primário com as respostas à evolução tecnológica e nesta à IA.

A planificação e concretização de projectos infra-estruturantes que possibilitem respostas sólidas às necessidades colectivas, com recurso a novas tecnologias, exigem paralelamente a concepção e execução de um plano de ensino e de formação profissional voltados para o futuro com a consciência que o desemprego se agravará na primeira fase, com eliminação de muitos empregos nos sectores administrativos e financeiros, atendimento, logística e industria.
Claro que os avanços tecnológicos e com eles a IA reflectem um avanço muito positivo para a humanidade, como sempre sucedeu no passado, como todas as invenções, contanto que o que surge de novo, como a IA, não saia do controlo humano .

A admissibilidade de isso poder não ocorrer com a IA, problema que tem sido suscitado e debatido, é, porém, o outro lado da moeda que o tempo se encarregará de decifrar.
Para já, o que importa aqui registar são estes novos desafios do futuro que a IA levanta, de enorme avanço, mas também de projecção negativa na eliminação de muitos empregos envolvendo desafios gigantescos para todos e que os países de África não escaparão e naturalmente Angola, pelo que é necessário começar a ponderar a tempo as respostas para não surgirem mais surpresas, inclusive sociais.

Perante a aproximação da campanha eleitoral de 2027, este é um bom tema para que os partidos políticos e as personalidades candidatas a sufrágio o debatam, por ser, antes de mais, um desafio que integra um desígnio nacional e que respeita a natureza do desenvolvimento futuro do País .