Adalberto Costa Júnior, que começou por elogiar algumas medidas dos governos de João Lourenço, afirmou, no entanto, que os discursos oficiais e os dados estatísticos governamentais continuam distantes da realidade concreta vivida nos mercados e nos lares angolanos.

"Comecemos pelo que melhorou, porque é justo. A electricidade da rede pública chega agora a 48,6% dos agregados familiares, contra 32% em 2014. A água apropriada para beber chega a 56%, contra 44%. O registo de nascimento subiu de 53 para 63%. A proporção de adultos com o segundo ciclo do secundário concluído quase duplicou: de 13 para 25%. Estes avanços são reais, devem-se também ao esforço de muitas famílias, municípios e profissionais", exaltou o presidente da UNITA.

De baterias apontadas para os jovens, num País onde o crescimento da economia não acompanha o acelerado crescimento populacional, o líder da UNITA criticou a falta de oportunidades de emprego, de formação e de rendimento para os jovens, o que pode transformar o crescimento demográfico numa fonte de tensão social, ao invés de representar uma vantagem para o desenvolvimento do País.

No balanço dos nove anos de governação de João Lourenço, ACJ falou dos milhões que todos os anos ficam fora do sistema de ensino, com base nos dados ddo censo 2024.

"A taxa líquida de frequência do ensino primário desceu de 64 para 62 por cento. A alfabetização dos jovens entre os 15 e os 24 anos recuou: de 77 para 75%. Uma geração inteira está a ficar para trás, precisamente aquela que devia construir a economia produtiva de 2037", afirmou.

E o que propõe a UNITA?

O programa "Nenhuma Criança Fora da Escola", de modo a reduzir de 34 para menos de dez por cento, até 2037, a proporção de crianças e jovens entre os cinco e os 18 anos fora do sistema; um mapa nacional das necessidades educativas, com indicadores públicos por município, com matrícula, assiduidade, abandono, conclusão e aprendizagem; Valorizar os professores, com incentivos especiais para quem serve nas províncias mais carenciadas. por último, a reforma do ensino técnico-profissional, co-desenhada com as empresas, com estágios e primeiro emprego; Ensino superior com investigação, ligado aos desafios do País.

"Um país que quer industrializar-se precisa de técnicos, mecânicos, electricistas, agrónomos e engenheiros, e não os está a formar à escala necessária", defende.

E sobre a economia produtiva, Adalberto Costa Júnior considera que a diversificação tem de deixar de ser "uma promessa repetida".

"Houve projectos bem-sucedidos, em cimento, cerveja, açúcar, ovos e aço, e não se nega o esforço dos empresários angolanos. Mas um conjunto de projectos não faz uma transformação estrutural: o petróleo continua a ser noventa e três por cento das exportações", declarou, elencando três bloqueios a derrubar: o financiamento - "apenas nove por cento das empresas têm crédito bancário); a falta de divisas - "Mesmo depois de liberalizado o câmbio, o FMI identifica práticas de taxas múltiplas e atrasos no acesso a divisas. Obter dólares para importar uma máquina, uma semente ou uma peça continua a ser um enorme desafio"- ; e energia e logística - "Sem energia fiável não há indústria. Sem estradas secundárias e terciárias, a produção não chega ao mercado".

E por trás de tudo isto, diz ACJ, "há um número que deve preocupar qualquer economista: o investimento.

"A formação bruta de capital fixo caiu para cerca de dez por cento do PIB em 2025, o valor mais baixo dos dados anuais recentes. Só se pode crescer de forma duradoura investindo mais. E a poupança nacional é hoje cerca de um terço do que era em 2018", destacou.