O líder do requalificado partido PALMA (Partido de Aliança Livre de Maioria de Angola), depois PALMA-Nova Angola, em declarações ao NJ, em Malanje, onde passou em trânsito, garantiu que a ideologia de centro-esquerda foi substituída no Renova Angola pelo centro direita, e que prepara as condições técnicas e humanas para o maior desafio eleitoral.

Nas três localidades, o político vai apresentar os respectivos secretários provinciais e inaugurar as sedes provinciais da organização.

Manuel Fernandes acredita que o País vive num contexto em que cresce o índice de insatisfação por parte dos angolanos por causa da fome e da pobreza generalizada.

Segundo o político, os problemas sociais e económicos, que afligem os habitantes das principais cidades, afectam igualmente a tranquilidade política no País, "que deveria resvalar-se no bem-estar social dos cidadãos, e nesta parte estamos muito mal.

O País saiu da pobreza para a miséria, grande parte dos nossos concidadãos não conseguem ter até duas refeições ao dia".

O antigo líder da CASA-CE considera haver também um distanciamento entre os actores políticos na oposição, tratando-se como se fossem inimigos.

"Deveríamos olhar para nós como filhos da mesma Pátria, como pessoas com pensamentos diferentes, para construir uma Angola digna e que sirva para todos".

"O espírito de pluralidade democrática desaparece a todos os níveis, incluindo no seio do partido governante", exemplifico. E acrescentou: "Já tivemos momentos em que tínhamos maior abertura, nós estamos a acompanhar aquilo que acontece no partido irmão, que conduz os destinos do País, está com dificuldades de poder concretizar a democracia plural no seu interior".

O político, que trabalha no Leste do País até domingo, 31 de Maio, mostrou-se preocupado com a saída massiva de jovens angolanos para o estrangeiro, "por falta de oportunidades de emprego e estudo de qualidade no País e a pobreza extrema, compromissos do MPLA sufragados nas eleições gerais de 2022, e que não cumpriu".

"Longe de poder criticar, de chamar a juventude de frustrada, deveria fazer-se mea culpa e com todo o realismo encontrar soluções adequadas para inverter o modelo de execução económica do País", disse, rebatendo o comportamento de muitos políticos no poder.

Manuel Fernandes, atento às políticas económicas que facilitam mais a migração de divisas do que a sua arrecadação, sublinhou que com uma indústria transformadora interna forte, os milhares de jovens encontrariam empregos e a diversificação da economia real seria um facto.

"E com aquilo que a gente recebe da venda do petróleo e de outros recursos, poderemos ter reservas robustas para valorizar a nossa moeda nacional, reforçar a nossa balança de pagamentos e as famílias poderão ter um bem-estar, os empresários serão mais fortes e competitivos, praticando salários bons", referiu.

Relativamente à pretensão do governador do BNA, Manuel Tiago Dias, de baixar para um dígito a inflação em Angola até 2027, o presidente do Renova Angola considerou ser "um sonho alto".

"Acredito que é a um País diferente que ele se está a referir, e não Angola, a concretização "será através de medidas administrativas, não pela robustez da economia, o que não é bom".

O concorrente à Presidência da República precisou que os angolanos já não querem ouvir governantes com abordagens casuísticas, para alegrar o chefe [PR], mas abordagens realistas que coincidem com a realidade factual do País.