Entre sindicalistas e outros funcionários, pairavam receios de intimidação, mas tudo não passou de um susto: quando se percebeu que alguns agentes davam guarida ao director do Gabinete Jurídico, portador de um documento solicitado pelo governador provincial, Luís Nunes, prosseguiu o cenário de protestos.
Já se sabia que a paralisação, primeira com o actual Conselho de Administração, pretende forçar um pronunciamento em relação a dois dos vários pontos do caderno reivindicativo, mas o sindicalista Homero Magalhães acrescentou outros elementos, relativos à gestão financeira.
"O Conselho de Administração está fechado, a assinar contratos de modo a que ninguém se aperceba de nada", avançou o técnico, antes de ter recordado que "a sobrefacturação nos negócios com fornecedores foi sempre uma forma de desvio de fundos".
Homero Magalhães adverte que os administradores em funções há cinco meses estão a optar pelas mesmas práticas e ressalta um empréstimo solicitado ao Banco de Comércio e Indústria (BCI) sem que se conheça a finalidade.
Não existem ainda reacções do Conselho de Administração, que reforçou, nas últimas semanas, a necessidade de diálogo e harmonia laboral, mas há, sabe o NJ, uma grande preocupação do governador local.
Na última greve, refira-se, Nunes Júnior apelou ao bom senso e vincou a importância estratégica da EPASB, que conta com mais de 900 trabalhadores.

