Sem uma "célere intervenção" do Porto-senhorio, a entidade que esta semana evitou uma marcha de protesto, aos trabalhadores prometem endurecer a luta entre marchas de protesto e uma greve, purou o Novo Jornal.

O Conselho de Administração do Porto do Lobito, de onde foram transferidos mais de 700 funcionários para a ALT, detida pela Africa Global Logistics (AGL), recebeu, após ter evitado a marcha, um manifesto com todas as exigências e ameaça de greve.

O primeiro-secretário da Comissão Sindical, Rafael Joaquim, descarta o retorno ao diálogo com a ALT, justamente porque "não presta explicações concretas", e assinala que cabe ao Porto-senhorio, enquanto fiscal do acordo de transferência, avançar com soluções.

Centenas de trabalhadores, com cartazes e palavras de ordem como "míseros salários" e "chega de roubar", já se preparavam para a marcha numa empresa-chave a nível do Corredor do Lobito, mas um pedido do Conselho de Administração do Porto, liderado por Celso Rosas, travou o protesto.

Agora, o sindicalista refere que a ausência do director-geral, substituído por "pessoas sem competência para tratar dos assuntos", impõe a exclusão da entidade patronal e avisa que o ministro dos Transportes, Ricardo D"Abreu, é também chamado a intervir, conforme o manifesto.

"A concessão é de 20 anos, estamos apenas no terceiro e eles já fintam os trabalhadores", salienta o líder da Comissão Sindical, ao sublinhar que os direitos adquiridos enquanto colaboradores do Porto estão a ser violados.

Rafael Joaquim ressalta que uma revisão da tabela salarial, diferente do aumento de 10 por cento do salário-base, permitiria acabar com a discrepância entre os transferidos, recém-contratados e expatriados, beneficiando igualmente os que auferem "apenas" 135 mil kwanzas.

A prevalecer, a falta de resposta em relação a datas para o pagamento dos prémios de produtividade relativos a dez meses de 2024 e todo o ano de 2025, que totalizam mais de 700 milhões de kwanzas, pode dar lugar a uma assembleia de trabalhadores para convocação de greve geral.

Não há, para já, nenhuma reacção do Porto do Lobito, que terá de responder até à próxima segunda feira, mas a ALT, agora excluída diálogo, questiona o fundamentei legal ou contratual a determinar que tenha de pagar os prémios de produtividade nos moldes reclamados.

Num comunicado em que reforça a necessidade de diálogo como garante para estabilidade laboral, acrescenta que se trata de uma política específica "daquela empresa", o Porto-senhorio, e rejeita a divulgação dos valores alegadamente em dívida.

A concessionária dos terminais da Empresa Portuária do Lobito rejeita ainda que não tenha implementado o qualificador ocupacional e fala em problemas nas interpretações sobre os efeitos remuneratórios decorrentes da medida.