Na semana passada, o tribunal terminou o interrogatório aos 30 arguidos, nomeadamente dos altos funcionários da Administração Geral Tributária envolvidos naquele que é, neste momento, o maior escândalo financeiro do País.

Ao tribunal, os arguidos negam as acusações do Ministério Público (MP) e queixam-se perseguições desde o início do processo.

Quanto ao valor desviado, mais de 100 mil milhões kz, dizem que não corresponde à realidade, considerando as acusações do MP "muito excessivas".

Dos 30 arguidos envolvidos, 20 estão na condição de prisão preventiva e 16 em liberdade.

O tribunal entendeu ouvir em separando as seis entidades colectivas, ou seja, as empresas arroladas no processo.

O julgamento encontra-se na fase de produção de prova e os arguidos são acusados da prática dos crimes de peculato, associação criminosa, falsificação informática, recebimento indevido de valores, branqueamento de capitais e corrupção activa de funcionário.

São arguidos no processo Alípio João, Pedro Lumingo, Ziras Gaspar, João Love, Emanuel Carvalho, Tiago dos Santos, Ludgero Silva, Noé da Costa, Célia Joaquim, Irene Domingos, Luciano Ferreira, Nani Banesta, Ali Noureddine, Kiame Saúde, bem como diversas empresas.

O Novo Jornal soube que esta segunda-feira, 23, o julgamento entra fase de interrogatório das testemunhas, onde consta o nome do PCA da AGT José Leiria.

Este julgamento tinha inicialmente como juiz principal José Lando, que devido à complexidade foi substituído pelo juiz Biscay Kassoma, como noticiou o Novo Jornal no dia 11 deste mês.

A acusação diz que os arguidos cometeram vários crimes, beneficiando empresas por meio de facturação falsa, redução indevida de dívidas fiscais e emissão irregular de notas de pagamento.

São acusados de defraudarem o Estado angolano, através dos reembolsos fraudulentos na AGT, num prejuízo superior a 100 mil milhões de kwanzas, daí o "caso AGT" ser um dos maiores processos-crime de natureza económico-financeira registados no país nos últimos anos.

O julgamento está sob jurisdição da 7ª secção doo Tribunal da Comarca de Luanda (TCL), mas por falta de condições deste tribunal, está a decorrer na sala de julgamento do Tribunal Supremo (TS).