A marcha foi motivada pelo caso de Belma, uma adolescente de 15 anos abusada sexualmente por dois homens no município de Viana, depois de o vídeo da violação ter sido partilhado nas redes sociais, tendo o crime chocado a sociedade.

O vídeo, que demonstra claramente a violação cometida por dois cidadãos adultos, já detidos, contra a menor, invadiu as redes sociais no dia 28 de Dezembro.

Os malfeitores espancaram a menina, que suplicava pela vida, violentaram-na e ameaçaram-na de morte.

A realização da marcha no sábado passado foi impedida pela PN, o que gerou uma onda de protesto e críticas às autoridades.

Para evitar que o cenário se repita, esta segunda-feira, 5, a organização da marcha remeteu ao Governo Provincial de Luanda (GPL) e à Polícia Nacional (PN) uma carta a dar a conhecer a manifestação em obediência ao artigo 47.º da Constituição da República de Angola.

Segundo os organizadores, no caso da marcha do passado sábado, o GPL e a PN recusaram receber a carta, mas esta segunda-feira as mesmas entidades recepcionaram o pedido.

Os organizadores asseguram que o direito à manifestação não depende de autorização administrativa e impedir uma marcha pacífica contra o abuso sexual constitui um sinal grave de retrocesso democrático.

Desta vez, o GPL recepcionou a carta para a realização da marcha no dia 10, no Mercado do São Paulo, asseguram os organizadores.

No passado sábado, vários cidadãos que se encontravam concentrados no Largo do Mercado de São Paulo, em Luanda, foram dispersados por um forte dispositivo da Polícia Nacional montado no local, que impediu o início da marcha.