No entanto, Vladimir Putin só conseguiu iluminar novamente a "sua" guerra com a atenção dos media devido aos efeitos da guerra no Médio Oriente sobre a economia mundial, que estão a ser mais perversos a cada dia que passa e esta guerra já está no seu 6º dia.
Efeitos esses que se sentem especialmente desde que o Irão procedeu ao encerramento do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por onde passam 20% do petróleo mundial e 20% do gás queimado todos os dias no planeta.
Além disso, os países do Golfo Pérsico que garantem a produção de energia que ilumina o mundo e a sua economia, suspenderam a produção total ou parcialmente para providenciar danos maiores a sua infraestrutura energética.
Se o preço do barril de crude já passou dos 80 USD por barril de Brent, no LNG, o preço subiu mais de 60% no mercado europeu, agravando a já densa crise nas maiores economias europeias, como a alemã e a francesa.
Mas tudo parece estar à beira de piorar rumo a uma catástrofe, porque, numa altura em que a União Europeia ameaça a Rússia com a desistência completa de compras de energia a partir de 2027, eis quem perante o actual contexto mundial, Vladimir Putin anuncia que é Moscovo que vai fechar a torneira antes do prazo previsto por Bruxelas.
O Presidente Vladimir Putin, numa entrevista ao canal público russo Rossya-1, depois de explicar que, ainda assim, os europeus têm como principais fornecedores, actualmente, quando antes da guerra da Ucrânia e das sanções de Bruxelas era a Rússia, a Noruega, a Argélia e os EUA, embora o gás russo continue a ser importante.
Segundo dados oficiais, em 2021, antes do conflito na Ucrânia ter passado para a fase da invasão russa, depois de oito anos circunscrito ao Donbass, a Rússia vendia anualmente à União Europeia 150 mil milhões de metros cúbicos (bmc), estando agora nos 52 bmc...
Mas Putin quer acabar já com o fornecimento porque, explicou, este momento de carência global devido ao conflito no Médio Oriente é importante para que a Rússia possa encontrar novos clientes que recebam o gás que a Europa diz que vai deixar de receber dentro de meses.
A decisão russa ainda não foi tomada, apenas anunciada por Vladimir Putin, mas as palavras do chefe do Kremlin caíram como uma bomba em Bruxelas, onde, além de preços a subir em vertigem, o gás, seja via gasoduto ou LNG (liquefeito), por navio, pode mesmo deixar de existir.
Salvaguardando que os países mais pragmáticos, que não alinham nos sucessivos pacotes de sanções europeias contra a Rússia, já no 20º, como a Hungria e a Eslováquia, e em certa medida a Chéquia, vão continuar a poder contar com o gás russo, os restantes podem vir a enfrentar uma séria escassez, que pode ser dramática para economias já tremelicantes.
"Não temos nenhuma razão política, apenas pragmatismo, porque agora podemos desviar o gás para clientes de maior confiança e evitar quaisquer situação menos positiva quando a Europa deixar de comprar o gás russo", explicou Putin, sublinhando que ainda não foi tomada uma decisão e que isso só deverá acontecer depois de uma reflexão consolidada, o que pode ser interpretado como um convite aos europeus para pensarem de novo neste assunto.
Recorde-se que com o atentado ao nord stream 2, os gasodutos que levavam o gás siberiano, sob as águas do Mar Báltico, em 2022, para a Alemanha, e as sanções sobre a energia russa, alegando que é o crude e o gás que garantem o financiamento do conflito na Ucrânia, os países europeus passaram a comprar quase metade do seu gás aos EUA a preços entre 3 e 4 vezes mais altos que o gás russo.
Para já, certo é que a guerra no Médio Oriente está a chegar à Europa pela via económica, depois de alguns sinais iniciais, também, de desconforto em Kiev, porque a Ucrânia precisa de forma existencial do apoio dos EUA e das suas armas e com o empenho a oriente, esse apoio deverá diminuir senão mesmo desaparecer.
Isso, porque os EUA estão com dificuldades em garantir os sistemas de defesa antiaérea que os seus aliados no Golfo, que têm bases americanas nos seus territórios, praticamente todos, precisam urgentemente, visto estarem a anunciar que vão desviar alguns de países como a Coreia do Sul.
Sem conseguirem proteger as suas bases na Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Bahrein e Emiratos Árabes Unidos, todas elas já, pelo menos parcialmente, destruídas, será praticamente impossível aos EUA voltar a enviar sistemas Patriot para a Ucrânia, aqueles que o Presidente Volodymyr Zelensky mais tem pedido.

