Esta parceria promete gerar polémica devido ao caso análogo que existiu entre o Reino Unido e o Ruanda, que acabou por ser anulado devido ás críticas generalizadas e à acção de várias ONG's na justiça britânica.
Segundo a agência de notícias congolesa, ACP, este dispositivo de acolhimento temporário de migrantes será financiado pelos norte-americanos no contexto das relações bilaterais onde a RDC emerge como um parceiro estratégico dos EUA na "gestão de fluxos migratórios mundiais".
"O Governo esclareceu que a responsabilidade logística e técnica do dispositivo serão asseguradas pelo Governo norte-americano através de estruturas especializadas na lide de movimentos de pessoas através do mundo", avança ainda a ACP.
"Não haverá qualquer custo para o Estado congolês", aponta ainda um comunicado oficial citado pela ACP, que acrescenta que a soberania legal da RDC será integra,mente respeitada em matéria de entrada de estrangeiros no seu território e não belisca os acordos internacionais em matéria de protecção dos direitos e da dignidade dos migrantes.
Porém, os media congoleses notam ainda que este dispositivo, que surge como semelhante ao que chegou a ser testado entre o Reino Unido e o Ruanda, ou entre os EUA e o Gana (ver links em baixo), pretende ser um centro de resolução de conflitos migratórios até que as pessoas que ali chegarem estejam em condições de rumarem a outros destinos.
É, no entanto, evidente que esta é uma forma de os EUA, onde a Administração Trump tem na expulsão dos ilegais uma prioridade para lidar com este assunto, enviarem para fora do seu território todos aqueles que sejam encontrados sem documentos e que tenham origem em África.
Que é o mesmo que o Reino Unido estava a tentar fazer antes de o programa ser desmantelado pelo novo Governo trabalhista em Londres, em finais de 2024.
Este projecto, que, apesar das garantias do Governo do Presidente Felix Tshisekedi sobre o respeito pelos direitos dos que forem acolhidos, tem tudo para gerar o mesmo tipo de polémica que aquele entre Londres e Kigali, com as organizações locais e internacionais a agirem no sentido de demonstrar que é um mecanismo que viola os Direitos do Homem.
Isto, porque, como no caso do Reino Unido, quaisquer diferendos legais envolvendo migrantes devem ser, em única instância, entre o país de acolhimento e o de origem, caso se trate de indivíduos com cadastro ou com problemas com a justiça norte-americana.
Referindo-se a este acordo, o ministro das Comunicações e dos Media, e porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya Katembwe, acrescentou a este burburinho que os deportados dos EUA vão começar a chegar "já este mês" de Abril, nas instalações criadas na capital do país, Kinshasa.
A RDC é um dos vários países africanos que se submeteram à vontade do Presidente norte-americano, que também firmou acordos semelhantes com o Gana, Eswatini, Guiné Equatorial, Ruanda, Uganda, Sudão e Sudão do Sul e Camarões.
Os EUA parece não estarem a olhar a despesas para levar adiante este programa de deportações, tendo, segundo a Assciated Press, gastado mais de 40 milhões USD para deportar 300 pessoas para países terceiros, mesmo que isso fira claramente a lei e a Constituição do país.









