De acordo com o relatório, foi na província de Luanda onde morreu mais gente naqueles dias de finais de Junho do ano passadfo, com 47 mortes, em Malanje o documento da UNITA revela que 20 cidadãos morreram, oito no Huamboe e Kuando com nove.
Estas mortes, ainda segundo o mesmo documento, foram resultado do exercício excessivo da força pelas forças de segurança.
No entanto, este presente relatório cobreum trabalho de análise desenvolvido ao longo dos últimos anos, com especial incidência no período 2018 - 2025.
Os dados disponíveis e confirmados pelas equipas de investigação revelam que neste período de vigência do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, enquanto Comandante em Chefe das Forças Armadas, o total de vítimas mortais desta forma de violência policial ascende a 362 pessoas.
"Infelizmente não se trata de simples e frios números estatísticos. São pessoas, angolanos, que morreram e estes têm nomes que também estão devidamente documentados", aponta o primeiro-ministro do "Governo Sombra" da UNITA, Raul Tati.
"São dados recolhidos com critérios de verificação, localização temporal e enquadramento jurídico, mas afastados de qualquer lógica de exploração sensacionalista", disse ainda Raul Tati.
Segundo este dirigente da UNITA, a análise evidencia "tendências que merecem reflexão profunda", desde o uso excessivo da força, detenções arbitrárias, maus-tratos, mortes e/ou execuções sumárias em contexto de actuação policial e, de forma recorrente, défice de responsabilização institucional.
"Estes factos colocam desafios sérios à ordem constitucional angolana e a honra de compromissos internacionais assumidos soberanamente pelo Estado", referiu.
Tati disse que o relatório não é para promover instabilidade, mas por acreditar que a transparência, o reconhecimento dos problemas e a responsabilização efectiva são pilares indispensáveis de uma paz duradoura e de uma democracia funcional.
"A UNITA e autores declararam que o relatório foi produzido durante quatro meses, com "boa-fé", rigor técnico e observância das normas de documentação jornalística e política, visando fornecer um registo fidedigno dos factos e das suas consequências sociais", frisou.
"Dirigimo-nos, por isso, também à comunidade internacional, aos parceiros bilaterais e multilaterais e ao corpo diplomático acreditado em Angola, apelando a um acompanhamento atento, equilibrado e informado da situação dos direitos humanos no país, baseado em factos verificáveis, diálogo construtivo e respeito pela soberania democrática", disse o primeiro-ministro Sombra da UNITA, Raul Tati.
"Este relatório pretende, assim, abrir um espaço de reflexão nacional e de diálogo responsável, interno e externo, sobre os acontecimentos de Julho de 2025 e sobre os padrões éticos e legais que devem nortear o exercício do poder em Angola", disse salientando que não há paz verdadeira quando o medo substitui a confiança.
De acordo com Raul Tati, a UNITA continuará a cumprir o seu dever histórico de contribuir para uma Angola onde a autoridade do Estado se afirme pelo respeito à vida e à lei, pela protecção dos cidadãos e pela confiança nas instituições.

