Cuba vive, por estes dias, uma crise de combustível, que está a afectar com especial severidade o sector da aviação,causada pelo reforço do bloqueio económico dos EUA, afectando agora a chegada ao país do petróleo venezuelano, do qual a economia cubana dependia quase integralmente. Em Havana já se apela aos seus aliados mais antigos para minimizar o problema.
O embargo, imposto por Donald Trump no início deste mês, segue-se ao ataque norte-americano do princípio de Janeiro contra a Venezuela, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, principal aliado regional do governo de Havana, que se junta ao bloqueio económico que Washington mantém há décadas sobre este país caribenho com quem Angola tem ligações históricas conhecidas.
Cuba, que, apesar dos mais de 60 anos de embargos dos EUA, tem como um dos seus grandes pilares um capital humano marcado por altas taxas de escolaridade e alfabetização, a par de uma força de trabalho altamente qualificada, nomeadamente na saúde e educação, decretou uma série de medidas emergenciais para tentar sobreviver sem importações de petróleo e derivados, designadamente o fim da venda de gasóleo, a redução do horário de hospitais, o encerramento de alguns hotéis e a transferência dos turistas para outras unidades hoteleiras.
A agência EFE dá conta de que o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga afirmou na televisão estatal que "se desenhou um plano no turismo para reduzir os consumos energéticos, compactar as instalações turísticas e aproveitar a temporada alta que decorre neste momento no país".
Os hotéis atingidos, de cadeias como as espanholas Meliá ou da canadiana Blue Diamond, encontram-se sobretudo em Varadero e no norte da ilha e fazem parte de um dos motores mais importantes da economia cubana, o turismo.
Segundo a EFE, o presidente Miguel Díaz-Canel explicou que este plano anticrise foi inspirado nas estratégias do chamado "Período Especial" dos anos 1990, incluindo medidas de auto-suficiência e racionamento extremo em caso de "opção zero" de fornecimento energético.
O governo de Cuba anunciou também que começará a suspender o fornecimento de querosene a aeroportos do país, segundo a agência de notícias France-Presse.
"A aviação civil cubana notificou todas as companhias aéreas de que não haverá mais abastecimento de JetFuel, o combustível de aviação, a partir de terça-feira, 10 de Fevereiro, às 00h00, horário local", segundo a APF.
Apesar de alguns países, como o México, já terem anunciado que vão manter o fornecimento de crude a Cuba definido por contratos internacionalmente reconhecidos, isso está longe de ser suficiente e, como alguns analistas, admitem, sem um apoio claro dos aliados mais antigos de Havana, o país pode entrar numa espiral de caos incontrolado devido aos efeitos destas sanções sobre a sua economia já massacrada há décadas pelo mais longo e contestado internacionalmente bloqueio dos Estados Unidos.
As Nações Unidas também já condenaram este bloqueio dos EUA a Cuba e a sua Assembleia-Geral aprovou por largas maiorias várias resoluções a exigir o levantamento das sanções norte-americanas contra Havana.
Além disso, como aconteceu a 03 de Janeiro com a Venezuela, Cuba é um dos países listados pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como estando na calha para uma intervenção militar de alteração de regime.

