A campanha de vacinação esteve inicialmente prevista para 8 a 12 de Outubro, mas foi reagendada pelo Ministério da Saúde (MINSA) e vai decorrer até 27 deste mês

O MINSA mobilizou mais de 18 mil equipas de vacinação apela aos pais e encarregados de educação, líderes comunitários e à população em geral para que acompanhem atentamente as informações divulgadas pelos canais oficiais e aguardem as novas orientações sobre o início da campanha.

Esta campanha de vacinação visa reforçar a protecção de milhões de crianças contra doenças que podem ser prevenidas pelas vacinas, contribuindo para a interrupção da transmissão da poliomielite, bem como para a prevenção do sarampo e da febre amarela.

A operação contempla a administração das vacinas contra a Poliomielite (nOPV2 e fIPV), Sarampo-Rubé (SR) e Febre Amarela (FA), através de brigadas de vacinação porta-a-porta, postos fixos e postos avançados.

Segundo o MINSA, desde Janeiro de 2025, foram registados 20 casos de poliovírus circulante derivado da vacina tipo 2 (cVDPV2), em nove províncias. No mesmo período, foram confirmados 1.954 casos de sarampo nas 21 províncias, enquanto a febre amarela regista 19 casos confirmados em Luanda e Icolo e Bengo.

Angola está entre os nove países responsáveis por mais de metade (52,4%) do total de crianças que não receberam qualquer dose da vacina no último ano, indica um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que assinala que, em 2025, cerca de 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam qualquer vacina, permanecendo vulneráveis a doenças que podiam ser evitadas com vacinação, enquanto outras 6,2 milhões tiveram apenas protecção parcial.

Além de Angola, constam da lista a Nigéria, Iémen, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão e Paquistão.

Segundo o relatório, estes números representaram menos 745.000 crianças sem qualquer dose da vacina do que em 2024, mas dados de 2025 apontam para que se esteja ainda longe de atingir a meta de redução de "crianças com dose zero" em 2030.

A Agenda da Imunização 2030 pretende diminuir para metade o número de "crianças com dose zero" a nível global, ou seja, das 12,8 milhões estimadas em 2019 para as 6,4 milhões dentro de quatro anos.

Ainda de acordo com o relatório, a vacinação contra o sarampo com pelo menos uma dose está a tentar recuperar para os níveis de 2019, uma vez que há mais 1,8 milhões de crianças não vacinadas contra essa doença do que há sete anos, mas, por outro lado, cobertura da última dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) entre as raparigas aumentou de 28% para 31% no último ano.

Os programas de vacinação em 2025 melhoraram ligeiramente a cobertura da vacina contra difteria, tétano e tosse convulsa (DTP) em comparação com 2024, mas também estão abaixo dos níveis de 2019.

A meio da década, o relatório da Unicef e a OMS faz um balanço intermédio dos progressos feitos pelos países que aderiam ao objectivo de reduzir em 50% o número de crianças sem qualquer dose da vacina em 2030, ressaltando que 90 países mantiveram uma cobertura elevada e estável, acima dos 95%. Nove países fizeram alguns progressos, mas não atingiram essa meta, e 74 tinham mais crianças sem qualquer dose da vacina em 2025 do que em 2019.