O bispo garante que as doações nas igrejas são feitas de forma voluntária e nunca por obrigação, e assegura que a IURD nunca fez a devolução de qualquer doação entregue voluntariamente à igreja por crentes.
Segundo a acusação, os bispos e pastores da IURD são indiciados de se terem apropriado dos bens doados pela crente, Cremilda Domingos, em 2015, quando esta doou à igreja uma grande quantia em dinheiro e duas viaturas.
O juiz presidente da sessão, Tutti António, questionou o bispo António Miguel Ferraz se há intenção de a direcção de a igreja fazer a devolução dos bens à mulher, como ela agora exige. O bispo respondeu não haver, mas deixou claro que tal devolução pode ser feita caso o tribunal, com base na lei, assim obrigar a IURD.
Segundo o bispo, a direcção da igreja, antes tentou, após receber a relação da ofendida e dos seus familiares, devolver uma das viaturas que tinha à disposição, mas a mulher recusou.
António Miguel Ferraz disse ao tribunal que a doação feita pela crente Cremilda Domingos não foi usada por nenhum bispo ou pastor da IURD, mas sim nas despesas da igreja.
Aos juízes, o bispo negou que a "fogueira santa" visava a arrecadação de receita e que os pastores eram orientados superiormente a extorquir os fiéis, como vem expresso na acusação.
Tribunal terminou o interrogatório aos réus Honorilton Gonçalves e Fernando Teixeira
Na quinta-feira o tribunal terminou os interrogatórios aos réus Honorilton Gonçalves, ex-líder espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus, e Fernando Teixeira, antigo director da TV Record Angola.
Aos juízes, Fernando Teixeira disse que a IURD não é proprietária da TV Record em Angola e que o contacto existente era apenas na qualidade de cliente.
Fernando Teixeira disse que em nenhum momento usou a TV Record para transferir dinheiro para o exterior do País.
Sobre as suas acções na televisão, Fernando Teixeira explicou ao tribunal que era sócio da TV Record Angola apenas com 1% das acções, fruto dos bónus que ganhou em dinheiro na empresa. Questionado se tinha salário e carro pagos pela IURD em Angola, o arguido respondeu que não.
Já o ex-líder espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Honorilton Gonçalves, negou todas as acusações durante as quatro sessões de interrogatório.
No banco dos réus estão sentados Honorilton Gonçalves, Miguel Ferraz, Belo Kifua e Fernando Henriques Teixeira, todos acusados pelos crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e burla por defraudação.
