A decisão foi, como avançou o Novo Jornal, tomada pelo Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES) mas os professores entendem que o "chumbo" foi uma decisão demasiado pesada.
E, segundo soube o Novo Jornal, defendem que as insuficiências detectadas não afectam a qualidade pedagógica e científica do curso, daí não compreenderem o porquê do "chumbo" sentenciado pelo INAAREES.
Ao Novo Jornal, os docentes manifestam que não há razões objectivas para o INAAREES não validar a licenciatura em sociologia na FCS.
Conforme os docentes, após uma análise minuciosa do relatório provisório de avaliação externa de Dezembro de 2025, verificaram que a classificação final de "não satisfatório" (55,70%) atribuída ao curso de sociologia, e a recomendação de "não acreditação" que corresponde à interdição do curso por dois anos, contraria e contrasta com os indicadores mais importantes da respectiva avaliação.
Segundo os docentes há a necessidade da avaliação do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior, mas para todos os cursos e não para uns e outros não.
Ao Novo Jornal contam que há cursos a nível da UAN que não têm melhores condições comparando com o curso de sociologia.
O grupo de docentes que subescreveu a constatação ao INAAREES, este mês, dá como exemplo os cursos de gestão e de antropologia da UAN.
Gilson Lázaro, porta-voz do departamento de sociologia, conta que a não acreditação do curso foi uma posição extrema que o INAAREES tomou sem a devida atenção.
"É nosso entendimento que se o INAAREES quer ter uma função pedagógica, os cursos devem manter-se abertos fazendo uma supervisão de melhoria aos indicadores críticos. Se querem prejudicar, que prejudiquem a faculdade e não os cursos", realça.
Para os docentes, a avaliação do INAAREES é injusta e por isso mostram-se contra os resultados da avaliação externa do curso de sociologia realizada nos dias 29 e 30 de Outubro de 2025, divulgados no dia 27 de Março, tal como então noticiou o Novo Jornal.
Ainda assim, consideraram os professores, que tais insuficiências pouco têm afetado a qualidade pedagógica e científica, pois consideram que o curso de sociologia tem-se, nos últimos anos, destacado pela positiva.
"O curso tem se destaca pelo empenho do corpo docente e discente que, mesmo face às dificuldades de financiamento, participa de projectos de investigação científica dentro e fora do país", descrevem os docentes na carta de contestação a que o Novo Jornal teve acesso.
Para estes professores, apesar da FSC não possuir um laboratório para o curso de sociologia, há condições estruturais para a sua implementação, e reconhecem que os constrangimentos financeiros e de autonomia administrativa que limitam a execução de determinadas tarefas internas, não dependem da FCS, pois são comuns em toda à UAN.
Entretanto, o departamento de sociologia entende necessário a revisão dos resultados da avaliação pelas seguintes razões: pelo facto do corpo docente ter uma avaliação "exequente" de 91,67%, discente como "bom" de 80,56%, que são de elevado mérito, reflectindo um activo humano qualificado, empenhado e com resultados pedagógicos comprovados.
Ao Novo Jornal, os docentes da FCS lamentam o facto de terem escrito para o INAAREES refutando a avaliação feita, em sede do direito ao contraditório, mas esta instituição mantem-se silenciosa até ao momento.
Sobre este assunto, o Novo Jornal também tentou ouvir o INAAREES, mas sem sucesso.
Importa lembrar que nesta avaliação chumbaram mais de 50 cursos de universidades públicas e 200 de universidades privadas, tal como noticiou em primeira mão o Novo Jornal no dia 8 deste mês.



