Dos mais de 10 milhões de barris de petróleo que os sauditas, os maiores exportadores do mundo, exportavam antes desta guerra lançada pela coligação israelo-americana contra o Irão, a 28 de Fevereiro, perto de 6 milhões continuam a sair para o mundo.
Apesar do fecho do Estreito de Ormuz pelo Irão, Riade consegue manter uma boa parte da sua exportação activa, mais de 5 milhões de barris por dia, através do oleoduto construído há cerca de uma década para o outro lado do país, no Mar Vermelho.
Ali, as cargas sauditas, maioritariamente enviadas para a Ásia, passam pelo Estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, permitindo assim aliviar sobremaneira as consequências do encerramento em Ormuz, por onde passam diariamente 20% do gás (LNG) e crude consumidos no mundo.
Cenário que, com a ameaça de retoma das hostilidades entre americanos e israelitas contra o Irão, pode sofrer uma forte erosão, visto que a Ansar Allah (Houthis), que controlam mais de 50% do Iémen, especialmente o oeste do país, já prometeram fechar Bab al-Mandab e assim impedir a passagem de 15% do comércio mundial que usa este estreito diariamente.
E nessa restrição ficará encalhado ainda o crude saudita até agora exportado para a Ásia, visto que é economicamente insustentável que os petroleiros sigam para o Canal do Suez, atravessando o Mediterrâneo, contornem África para depois seguir pelo Oceano Índico até à Ásia Oriental.
Crude esse que não apenas mantém o fluxo de rendimentos de Riade como garante uma redução da severidade da escassez de energia no mundo forçada pelas restrições iranianas em Ormuz.
Se os Houthis cumprirem a ameaça, com o recomeço da guerra no Golfo Pérsico, e com menos cerca de 6 mbpd no mercado internacional, o barril terá uma subida que os analistas admitem que possa ultrapassar de imediato os 20% numa conjugação de recomeço da guerra, ataques à infra-estrutura energética nos países do Golfo, e fecho total nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab.
Para já, o pior cenário está dependente de negociações entre iranianos e americanos que podem nem sequer ter lugar. (ver aqui)
O que está a deixar os mercados com os nervos à flor dos gráficos mas ainda sem saberem bem em que direcção colocar as suas "apostas", porque as subidas nesta segunda-feira, 20, estão a ser moderadas, com "apenas" 5 % no caso do Brent, que estava a valer perto das 11:30, hora de Luanda, 94,8 USD.
