Donald Trump foi o segundo líder mundial a falar em Nova Iorque, mas tinha garantido o 1º lugar do mais ouvido em todo o mundo, com plateia cheia, e directos em quase todas as grandes cadeias de televisão do mundo, e passou os primeiros largos minutos do seu discurso a ameaçar o Irão e a falar do "total sucesso" da sua guerra no Golfo Pérsico.
Apesar de mais ninguém, ou quase ninguém, ver esse "sucesso absoluto", Trump deixou perceber, pela prioridade que deu a este tema, que é o Irão que lhe ocupa mais tempo e dá mais trabalho actualmente.
E usou para o sublinhar as suas frases bombásticas preferidas, como aquela em que mostra dúvidas entre "conduzir o Irão para o Inferno sem possibilidade de sobreviver" ou ajudar ste país a ser um dos mais desenvolvidos do Médio Oriente.
"Haverá um acordo que lhes permita reconstruir e criar um muito melhor país do que alguma foi na sua história, ou eu simplesmente aniquilo a República Islâmica?", disse sem titubear o Presidente dos EUA perante 193 líderes mundiais, incluindo um representante do Irão, que substituiu o Presidente Massoud Pezeshkian, embora este esteja em Nova Iorque.
Mas um dos mais faiscantes momentos destes momentos do discurso dedicados ao Irão pode muito bem explodir internamente, quando este diz que "eles" se esquecem que nas eleições intercalares de Novembro, o nome de Trump não está no boletim de voto, logo, pretendeu avisar, não interessa se a guerra afecta ou não os resultados do seu Partido Republicano.
Resta saber o que é que os seus companheiros de partido que vão a votos pensam desta frase: "O que eles não perceberam ainda é que eu não vou concorrer, eu já ganheias eleições de forma convincente".
Neste espaço inicial da sua intervenção, com o Irão no centro das atenções, Donald Trump apostou em tentar conseguir aquilo que em sete meses de guerra não obteve, que é o apoio internacional para "isolar o Irão economicamente".
Passou por alguns dos seus temas preferidos, como a garantia de que o Irão "nunca terá uma bomba nuclear", acusou Teerão de ser "o maior apoiante do terrorismo global", disse que a seu tom desafiante perante os EUA "não é por serem fortes, é por serem fracos" e apostou em como o "regime de terror de 51 anos vai acabar em breve" sob sua liderança no "país mais forte militarmente do mundo".
O discurso do Presidente do Irão, Massoud Pezeshkian, que obteve um visto para entrar nos EUA apesar de o seu país estar em guerra com os EUA, terá lugar na quarta-feira, 23, amanhã.
