O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, que é também o coordenador da CIVICOP, que presidiu o acto, anunciou que as primeiras vítimas localizadas na vala comum do Cemitério do 14, e identificadas mediante testes de DNA, serão sepultadas no sábado, 23, no Cemitério do Benfica, em Luanda.

Entre as vítimas identificadas na vala comum do Cemitério do 14, após exames de DNA, destacam-se José António Amaro, José Alberto Menezes, Pedro Martins de Sousa e Adriano Cassule (guarda costa de Nito Alves, responsável do alegado golpe de Estado) Alberto Fernandes, Jorge Gonga Sombo (motorista de Nito Alves).

O Presidente da República, João Lourenço, decretou luto nacional para esta sexta-feira, 22 de Maio, em memória de todas as vítimas dos conflitos ocorridos no País no período de 11 de Novembro de 1975 a 04 de Abril de 2002.

"Pelo elevado número de vítimas e o consequente impacto que a cerimónia que se vai realizar terá na nossa sociedade, decidi decretar Luto Nacional de um dia em todo o território nacional para sexta feira 22 de Maio do corrente ano, em memória de todas as vítimas dos conflitos", disse quarta-feira, 21, João Lourenço, numa mensagem dirigida à Nação.

Refira-se que a CIVICOP criada em 2019, dedica-se a localizar ossadas, identificar vítimas e promover memoriais dos conflitos políticos entre 11 de Novembro de 1975 e 04 de Abril de 2002.

Em Angola já foram exumados, neste âmbito, restos mortais de 316 vítimas em oito províncias desde 2021, com 3.248 certidões de óbito emitidas e cerca de 500 famílias com reclamações activas.

O processo busca entregar restos mortais e certidões de óbito de modo a encerrar capítulos de incerteza para muitas famílias angolanas, muitas vezes com forte carga simbólica de reconciliação.