Durante uma audiência na Subcomissão de Defesa da Comissão de Apropriações do Senado esta quinta-feira, Hung Cao explicou que a medida responde à necessidade de garantir reservas suficientes de mísseis e intercetores, embora tenha afirmado que o país ainda dispõe de existências "abundantes".

"Neste momento, estamos a fazer uma pausa para garantir que temos as munições de que precisamos para a operação Fúria Épica, que temos em abundância, mas temos que garantir, e as vendas prosseguirão" logo que a Administração considerar oportuno, afirmou o secretário da Marinha dos Estados Unidos em funções.

A operação Fúria Épica (ver links em baixo) foi lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.

Interrogado sobre se espera que a venda deste lote de armas venha a ser aprovado no futuro, o mesmo responsável remeteu essa decisão para os secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio.

A suspensão da venda foi anunciada na última sexta-feira pela Administração do Presidente Donald Trump, no mesmo dia em que regressou da visita de Estado a Pequim.

Horas antes de anunciar a suspensão da venda, Trump afirmou numa entrevista à Fox News que Taiwan tinha sido o tema central das conversas em Pequim com o homólogo chinês, Xi Jinping.

Os Estados Unidos têm um tratado de relações bilaterais assinado com Taiwan em 1979, no âmbito do qual a venda de armas é considerada uma medida defensiva, e ao longo de décadas registaram-se múltiplas vendas; a mais recente, no valor de 19 mil milhões, ocorreu em novembro passado.

Na mesma audiência, o senador republicano Mitch McConnell, que presidiu aos trabalhos, manifestou preocupação com a suspensão, questionando o impacto estratégico da medida.

A Administração Trump justificou a suspensão com base no conflito no Médio Oriente, mas, simultaneamente, assegurou que a guerra está prestes a terminar, na expectativa de um acordo definitivo com Teerão e no contexto de um cessar-fogo em vigor há mais de seis semanas.

Embora a venda de armas a Taiwan se insira no âmbito da jurisprudência norte-americana, outras administrações, como a de Barack Obama, suspenderam estrategicamente a venda quando existiam tensões com Pequim.