A operação militar liderada por forças especiais dos Estados Unidos teve lugar no Atlântico Norte, quando o petroleiro com pavilhão russo, baptizado Marinera, anteriormente conhecido por Bella-1, se dirigia para a Rússia.
A embarcação, cuja carga é desconhecida, mas se sabe que não é petróleo, havendo rumores de que pode ser carga valiosa extraída da Venezuela antes do ataque norte-americano para sequestrar o Presidente Nicolas Maduro, era escoltada por pelo menos um submarino russo.
Até ao momento, quando a notícia do assalto ao Marinera foi avançada pela Reuters, Moscovo mantinha quase silêncio total, embora o site da RT, canal russo estatal, esteja a avançar que se tratou de uma tentativa de tomada do navio sem avançar se com sucesso ou não.
Além dessa menção, e segundo a russa TASS, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse na terça-feira, 06, que este navio estava a ser seguido por navios de guerra dos EUA, numa situação "totalmente anormal".
"Por razões que desconhecemos, este navio está a ter excessiva atenção dos EUA e da NATO, claramente desproporcionada face ao estatuto de embarcação pacífica", apontou a diplomacia russa citada pela agência oficial de Moscovo.
Isto, quando, de acordo com a agência britânica Reuters, os EUA justificam a tomada da embarcação com o facto desta ter violado o bloqueio ao petróleo venezuelano, embora seja conhecido, pelo registo de radar do petroleiro, que não chegou a receber crude a bordo.
Ainda segundo os media russos e a Reuters, o Marinera estava a ser seguido por navios de guerra norte-americanos há mais de duas semanas, o que faz com que este episódio seja ainda mais estranho.
Isso, porque não é usual que petroleiros vazios despertem este tipo de atenção e ainda porque o Marinera, então Bella-1, saiu do Mar das Caraíbas dias antes de os Estados Unidos terem atacado a Venezuela e levado Nicolas Maduro para ser julgado em Nova Iorque.
A Reuters nota que o comando americano na Europa, porque o petroleiro foi assaltado ao largo da costa da Escócia, Reino Unido, informou na rede social X que a Administração Trump ordenou a acção por violação das sanções de Washington.
E ao mesmo tempo, o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, anunciou que o bloqueio naval norte-americano ao petróleo venezuelano "está activo em todo o mundo", o que serve para justificar esta acção inédita em águas internacionais a centenas de milhas náuticas da costa venezuelana.
Apesar da presença de navios de guerra russos na região e de um submarino que escoltava o Marinera, não houve qualquer reacção durante a operação de tomada de assalto do petroleiro pelas forças norte-americanas.
Este é um assunto que está a acontecer em tempo real e uma acção de resposta russa, pela via diplomática, deverá surgir em breve, sendo que, embora mais remota, exista ainda a possibilidade de os russos poderem tentar reaver o controlo da embarcação.
Por saber está ainda o destino actual do navio, avançando a Reuters que deverá seguir para águas territoriais britânicas.
Recorde-se que esta é a segunda tentativa de tomada do navio, depois de, há cerca de duas semanas, uma primeira ter falhado porque a equipa de navegação mudou de rumo para escapar á intervenção da Guarda Costeira dos EUA, ainda no Mar das Caraíbas.
A raridade desta operação - nunca antes tinha acontecido um navio russos ser tomado por militares norte-americanos - não permite antecipar o que serão as próximas horas, ou dias, mas há analistas que temem que a Rússia não possa, sob risco de mostrar fraqueza, deixar passar este episódio em claro.
Excepto se o Marinera era apenas um engodo para afastar as atenções dos EUA de outras embarcações que, segundo algumas fontes, nos canais das redes sociais, estarão a retirar da Venezuela grandes quantidades de valores, incluindo as suas reservas de ouro, a maiores da América Latina, estimadas em mais de 161 toneladas.
Entretanto, este episódio, depois de um momento em que o barril de crude perdeu valor sob a ameaça de mais petróleo nos mercados por acção dos EUA na Venezuela, que detém as maiores reservas mundiais, mais de 300 mil milhões de barris, está agora a fazer subir os gráficos devido ao receio de um confronto entre as duas maiores potências militares do mundo.


