Com pouco mais de 90% dos votos apurados das eleições de terça-feira, 27, o Likud, do actual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, lidera com 53 deputados confirmados, entre 120 possíveis, enquanto o Yashar, do antigo CEMGDA, Gadi Eisenkot, soma 48 lugares do Parlamento. (ver links em baixo)
Nem um nem outro já vão conseguir alterar o essencial do resultado, que seria chegar aos 61 deputados, embora alguns lugares possam ainda mudar de mãos, mas são os pequenos partidos árabes que se agigantaram nestas eleições, chegando aos 19 deputados e podendo ainda somar mais dois, pelo menos, após o final da contagem.
Isso, porque entre os votos que faltam verificar, estão quase exclusivamente membros das forças de segurança, que tradicionalmente votam à direita, sendo normal que os seus votos sejam divididos por Netanyahu e Eisenkot, mas estão ainda por apurar milhares de votos dos povos beduínos do deserto do Neguev, que votam quase em exclusivo nos partidos de génese palestina.
Embora o Presidente de Israel, Isaac Erzog, já tenha vindo pedir que as partes cheguem a uma acordo de Governo para evitar novas eleições, esse é ainda o desfecho mais certo, embora nas últimas horas o lado de Eisenkot, ligeiramente mais moderado que Netanyahu, tenha vindo "experimentar" a ideia de se aproximar dos partidos árabes.
Tudo, porque o afastamento de Benjamin Netanyahu, o homem que governou o país nos últimos anos lado a lado com radicais, racistas e defensores da expansão territorial do Grande Israel, que são os pequenos partidos liderados por Bem Gvir, ministro da Segurança Interna, e Bezalel Smotrich, das Finanças.
Com Gvir e Smotrich, Netanyahu conduziu o genocídio em Gaza, crime demonstrado pela justiça internacional, após o 07 de Outubro de 2023, e defende uma guerra decisiva com o Irão, o que tem vindo a mostrar que o fará se ganhar as eleições, algo que divide a sociedade israelita, embora esta votação mostre que perto de metade eleitoral do país apoia ambos os cenários: expulsão dos palestinianos de Gaza e a guerra com o Irão.
Face a esta possibilidade de Gadi Eisenkot remodelar a sua ideia de não aceitar o apoio dos partidos árabes, como alguns membros da sua coligação já defendem em público, Benjamin Netanyhau, que assim veria escapar-lhe o poder das mãos, começou a acusar esses mesmos partidos árabes de lhe terem "roubado" as eleições.
Embora esta formulação permita interpretar a ideia de Netanyhau sobre o "roubo" através de uma coligação árabe com Eisenkot, o que fica mais em evidência é que o ainda primeiro-ministro acusa-os de irregularidades e fraude, uma bizarria, vito que todo o sistema é não apenas vigiado como controlado pelos serviços de segurança, o que faz com que essa possibilidade seja impossível.
E, a provar isso mesmo, a polícia israelita já veio confirmar não existirem quaisquer provas de que os partidos árabes possam ter manipulado o resultado eleitoral, embora alguns analistas notam que nunca como nesta votação houve uma mobilização tão sólida dos eleitores israelitas de raiz palestiniana para varrer Netanyhau do mapa político do país.
E isso pode ser o resultado de uma coligação entre os árabes no Parlamento com Eisenkot, porque assim que sair do poder, Netanyhau terá de enfrentar a justiça onde responde por graves crimes de corrupção, fraude e abuso de poder, das quais tem escapado graças ao cargo.
Sabe-se, porém, que se Gadi Eisenkot recusar a proposta dos seus aliados, como Yoar Golan, do partido centrista Democratas, de negociar uma coligação com os partidos árabes, Israel terá de ir de novo a eleições em escassas semanas.
Outra possibilidade, que não seria um cenário novo em Israel, é um ou mkais partidos que estão actualmente no bloco da oposição liderado por Gadi Eisenkot, passar para o lado de Netanyahu e isso permitir que nas próximas 48 horas o actual primeiro-ministro anuncie a sua nova formação política que sustentará um novo Governo.
Todavia, com a entrada na sua coligação de um ou mais partidos da oposição, algumas condições deverão ser impostas e isso pode levar mudanças aos planos no que diz respeito à guerra com o Irão e ao genocídio em Gaza ou mesmo as operações militares em curso na Cisjordânia.








