A coligação liderada pelo Likud, de Benjamin Netanyahu, alcançou 53, dos 120 lugares no Parlamento, perdendo a maioria (68 lugares) que tinha na anterior legislatura, o que acaba por ser uma dolorosa derrota.

Mas o bloco chefiado pelo Yashar, partido do antigo CEMGFA, Gadi Eisenkot, ficou-se pelos 48 deputados, enquanto o bloco dos partidos árabes de génese palestiniana obtiveram um resultado histórico, com 19 assentos, mas dificilmente podem ser decisivos.

Com este cenário consolidado, não está afastada uma solução de última hora, com Eisenkot, embora tenha repetido que jamais o fará, a aceitar a proposta de alguns dos seus aliados para flexibilizar contactos com os partidos de génese palestiniana.

Mas também não está afastada a possibilidade, até porque o Presidente Isaac Herzog tem insistido para ser encontrada uma saída que evite novas eleições, de um partido da oposição, que está actualmente na coligação do Yashar, passe para o lado do Likud de Netanyahu.

Como vai acabar este drama pós-eleitoral, a que os israelitas estão, na verdade, habituados, é impossível antecipar, mas no pior dos cenários, Benjamin Netanyahu pode contar com mais alguns meses no poder, até à realização de novas eleições.

E isso pode ser um "sonho" tornado realizado por Benjamin Netanyahu, porque lhe permite ter aquilo que mais desejava antes destas eleições, que era os EUA a atacarem de novo o Irão, porque não apenas isso lhe era eleitoralmente vantajoso, como, se quisesse, poderia adiar a votação quase sine die.

Todavia, segundo se percebe pela abordagem a este cenário de alguns analistas, Donald Trump pode aceitar, após as eleições intercalares de 03 de Novembro, nos EUA, o desafio do seu amigo Netanyahu e volte a dar ordem de ataque contra o Irão.

"Talvez tenha de voltar a ordenar uma pequena `Epic Fury - Fúria Épica' contra o Irão", disse Trump num comício de campanha para as eleições intercalares de 03 de Novembro, apontando o apertar do gatilho para depois da votação, mesmo que Benjamin Netanyahu o tenha "afogado" em pedidos para o fazer antes das eleições em Israel de 27 de Outubro.

Nunca uma guerra esteve tanto em `stand by' devido a duas eleições quase em simultâneo e para as quais os atacantes, a coligação israelo-americana, estiveram tanto em campos opostos quanto à ordem de retoma dos ataques.

É que se em Israel Netanyahu precisava que Trump desse a ordem antes de 27 de Outubro, porque isso seria um impulso decisivo para os seus objectivos eleitorais de se manter no poder, para o norte-americano, fazê-lo seria condenar-se a si próprio a uma derrota ainda mais severa que aquela que as sondagens, quase sem excepção, lhe prognosticam.

Donald Trump sabe que dois em cada três eleitores indicam como razões maiores para decidir o seu voto o preço dos combustíveis e a inflação, sendo que tanto num caso como noutro, embora estejam ligados, é a guerra no Médio Oriente que contribui para a sua "inflamação".

Mas, por um acaso rugoso da história, após as eleições intercalares de 03 de Novembro nos EUA, os interesses de Trump e Netanyahu deixam de conflituar, ou até voltam mesmo a coincidir, porque o israelita pode ter de ir a eleições dentro de semanas e para o norte-americano, é a sua oportunidade de "vingança" visto que, se for como as sondagens apontam, só em Janeiro perde a maioria republicana no Congresso.

É que Benjamin Netanyahu, apesar de ter tido mais votos, está longe de conseguir uma maioria de deputados para a coligação de partidos que lidera, e o bloco da oposição, também não tem essa maioria...

A solução seria uma aliança com os partidos árabes, que conseguem, até ver, 19 deputados, num Parlamento de 120, onde o Likud, de Netanyahu, chega aos 53 e o Yashar, do antigo CEMGFA, Gadi Eisenkot, aos 48, mas tanto um como outro recusam-se a falar com os partidos de génese palestiniana.

Com a confluência destas novas realidades pós-eleitorais em perspectiva, os analistas dos mercados petrolíferos sabem que novos ataques ao Irão são mais que uma mera possibilidade, são quase uma certeza...

E isso será a "bênção" que o primeiro-ministro de Israel tanto anseia para se manter no poder e longe do processo judicial por corrupção, fraude e abuso de poder que o aguarda assim que deixar de ser primeiro-ministro (ver links em baixo).