Tanto o chefe das Nações Unidas como o chefe da Igreja Católica têm um objectivo, expresso nas suas reacções ao cessar-fogo entre EUA e Irão: garantir que não se trata apenas de um intervalo antes do recomeço da guerra.
O Papa Leão XIV saudou esta quarta-feira, 08, o anúncio de um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, considerando-o um "sinal de grande esperança", e defendeu o retorno às negociações para pôr fim à guerra.
"Após estas últimas horas de grande tensão para o Médio Oriente e para o mundo inteiro, saúdo com satisfação, e como sinal de grande esperança, o anúncio de uma trégua imediata de duas semanas" no conflito, afirmou o Papa norte-americano após a sua audiência geral semanal na Praça de São Pedro.
Poucas horas depois de considerar inaceitável a ameaça do Presidente norte-americano, Donald Trump, de acabar com a civilização iraniana, Leão XIV afirmou ser necessário agora "regressar à mesa das negociações" para conseguir um acordo definitivo que acabe com a atual guerra no Médio Oriente.
"Exorto todos a acompanharem este delicado momento de trabalho diplomático com orações, na esperança de que a disposição para o diálogo se torne o instrumento para a resolução de outros conflitos no mundo", acrescentou.
O anúncio do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos foi feito uma hora antes do fim do ultimato feito por Donald Trump, que ameaçou erradicar "uma civilização inteira" caso Teerão não abrisse o Estreito de Ormuz.
Na noite de terça-feira, o Papa Leão XIV considerou a ameaça "verdadeiramente inaceitável", referindo que, mais do que as questões de direito internacional que o ultimato implicava, estava em causa "uma questão moral".
Trump aceitou, na terça-feira à noite, suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num "cessar-fogo bilateral", e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz "viável".
O acordo, confirmado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, pretende possibilitar negociações para um acordo de paz que, segundo as autoridades iranianas, terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril.
Na segunda-feira, o Presidente norte-americano apresentou ao Irão um ultimato para que o regime islâmico voltasse a deixar passar todos os petroleiros no Estreito de Ormuz até às 20:00 de terça-feira em Washington (01:00 de hoje em Lisboa).
Trump ameaçou mandar destruir "em quatro horas" a totalidade das pontes e centrais elétricas do Irão, caso o ultimato não fosse atendido.
Guterres congratula-se com acordo e Médio Oriente saúda cessar-fogo
O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, congratulou-se igualmente com o cessar-fogo de duas semanas acordado entre os Estados Unidos e o Irão, pedindo respeito pelos termos definidos e sublinhando a necessidade de se preparar uma paz duradoura.
Guterres "exorta todas as partes envolvidas no atual conflito no Médio Oriente a cumprirem as suas obrigações perante o direito internacional", afirmou o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado hoje divulgado.
De acordo com a mesma fonte, o secretário-geral da ONU defendeu a necessidade de ambos os países "respeitarem os termos do cessar-fogo, a fim de preparar o caminho para uma paz duradoura e abrangente na região".
O responsável das Nações Unidas lembrou ainda que é urgente pôr fim às hostilidades "para proteger vidas civis e aliviar o sofrimento humano" e agradeceu os esforços do Paquistão e de outros países envolvidos na facilitação do cessar-fogo.
O enviado pessoal do secretário-geral para liderar os esforços da ONU no conflito, o diplomata francês Jean Arnault, está atualmente no Médio Oriente para "apoiar os trabalhos em prol de uma paz duradoura", concluiu o comunicado.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na terça-feira à noite ter aceitado suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num "cessar-fogo bilateral", e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz "viável".
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão confirmou o cessar-fogo bilateral de duas semanas com os Estados Unidos e informou que as negociações para um acordo de paz terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que o acordo representa um "cessar-fogo imediato em todo o território, incluindo no Líbano e noutros locais", embora o líder israelita, Benjamin Netanyahu, tenha rejeitado que o pacto inclua operações israelitas em território libanês.
O anúncio já foi alvo de saudações dos países da região, como é o caso da Arábia Saudita, que desejou que o acordo leve a uma "desescalada abrangente e duradoura" do conflito e do Iraque, que entretanto já reabriu o seu espaço aéreo.
"O Reino congratula-se com os esforços contínuos do Paquistão, particularmente sob a liderança do seu chefe do Estado-Maior do Exército, para alcançar este acordo", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita em comunicado, sublinhando a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto ao tráfego marítimo.
O Iraque, que, desde o início do conflito entre os EUA e Israel, por um lado, e o Irão, por outro - iniciado a 28 de fevereiro -, tem sido alvo de inúmeros ataques com mísseis e drones, visando sobretudo alvos norte-americanos no seu território, anunciou a reabertura do espaço aéreo "e de todos os aeroportos a partir de hoje".
Também os Emirados Árabes Unidos (EAU) reagiram, referindo ter saído "vitoriosos" de uma guerra que não desejaram.
Elogiando a "defesa nacional triunfante que salvaguardou a soberania e dignidade [do país], o conselheiro diplomático da residência dos Emirados, Anuar Gargash, sublinhou, nas redes sociais, a "força, resiliência e perseverança [que] solidificaram o modelo de progresso dos EAU".

