Isso mesmo está a ser esta quarta-feira, 15, noticiado em vários media norte-americanos e europeus, a partir de uma iniciativa do Partido Democrata, no Congresso dos EUA, que preconiza o recurso à 25ª Emenda da Constituição, que, permite, em situações excepcionais, substituir o Presidente pelo seu vice-Presidente.
A 25ª Emenda da Constituição dos EUA, introduzida em1967, define os procedimentos para substituir o Presidente em caso de morte, renúncia ou incapacidade de exercer o cargo contendo uma secção - a 4 - que sustenta a efectiva possibilidade de o vice-presidente e a maioria do gabinete declarem o Presidente inapto, tornando o vice-Presidente em Presidente em exercício, em caso de coma ou doença mental.
Esta iniciativa, que começou com o senador democrata Jamie Raskin, assenta naquela que é até hoje a mais famosa publicação de Donald Trump na sua rede social Truth Social, onde avisava, há cerca de semana e meia, que a civilização iraniana "vai desaparecer para sempre" em escassas horas de forma a "nunca mais regressar".
Esta publicação teve lugar no contexto da guerra com o Irão iniciada pela coligação israelo-americana a 28 de Fevereiro, que, por si só, mereceu fortes reparos de muitos congressistas, e ameaças de impeachment, por ter sido começada sem consultar o Congresso, como a Constituição impõe.
Mas foi a destruição da civilização, que todos os analistas, incluindo próximos do Partido Republicano, repudiaram porque aponta sem margem para dúvidas para o uso de armas nucleares contra o Irão, num contexto de guerra ilegal e sem justificação, sendo que esta ocorre num contexto de forte suspeita, como se percebe ao ler os media norte-americanos, de que a política externa dos EUA esteja hoje a ser dirigida por Israel.
Isto, quando ainda há dias o chefe do Departamento Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, se demitiu aludindo como justificação ao desnorte da Administração Trump e á inexistência de qualquer ameaça do Irão à segurança nacional e aos interesses do povo americano, acusando Donald Trump de estar sob controlo do Governo de Israel e a agir de acordo com os interesses do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyhau.
A mais contundente declaração que sustenta essa realidade veio de John Kerry, antigo secretário de Estado de Barack Obama, que disse, no canal MS Now, sem margem para dúvidas que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, esteve na sala Oval da Casa Branca a tentar convencer o Presidente dos EUA a atacar o Irão, como já tinha feito com George W-Bush, e fez depois com Joe Biden, mas apenas Donald Trump cedeu à sua pressão, abrindo espaço para vasta especulação...
Tanto a publicação da imagem de Donald Trump como Jesus Cristo, que, após estalar a polémica, apagou, e procurou, de forma insustentável, justificar dizendo que se via "como um médico e não como Cristo", como a ameaça de "apagar uma civilização" não surgem do nado, fazem parte de uma sucessão longa de publicações do Presidente na Truth Social que geraram desconforto entre o sistema político norte-americano.
Isto, quando ainda recentemente media como The Guardian, noticiavam que os oficiais superiores das Forças Armadas dos EUA estavam a dizer aos seus subordinados que estavam e estão a caminho do Médio Oriente que vão "numa missão divina" em nome de Donald Trump, um "escolhido de Deus" para levar o Armagedão ao Irão onde então Jesus Cristo regressará à Terra.
Perante este contexto de fortes indícios de perdas de faculdades mentais e desequilíbrio cognitivo, o congressista democrata, liderando um grupo alargado de senadores e representantes, apresentou uma proposta de criação, como comanda a 25ª Emenda, de uma comissão para trabalhar com JD Vance, o vice-Presidente, no sentido de "remover Donald Trump do cargo de Presidente dos Estados Unidos da América" por não estar já em condições mentais de liderar o país.
O líder do grupo democrata na Câmara dos Representantes encarregado dos assuntos jurídicos, Jamie Raskin, aos quais se juntaram figuras relevantes na nomenclatura norte-americana, como o ex-director da CIA, John Brennan, aponta como único caminho a destituição do Presidente, hoje com 79 anos e sintomas claros de perda de capacidades mentais.
Para que este cenário seja efectivado, a Secção 4 da 25ª Emenda da Constituição dos EUA impõe que o vice-Presidente esteja em clara sintonia com o restante gabinete do Presidente, de forma a tomar o seu lugar interinamente até que o processo seja concluído respeitando todas as normas para a sua substituição plena.
Jamie Raskin, numa declaração ao Congresso, sublinhou, citado por The New York Times, que nota que "a confiança pública em Donald Trump para cumprir as suas funções caiu drasticamente para níveis sem precedentes ao mesmo tempo de ameaça destruir civilizações, gerar o caos no Médio Oriente, violando as normas do Congresso, insuta de forma agressiva o Papa da Igreja Católica e mostra-se a si mesmo como Jesus Cristo na página oficial do Presidente dos EUA".
O que serve a este congressista democrata para deixar um aviso sério á navegação: "Estamos à beira de um perigoso precipício e é agora matéria de segurança nacional que compete ao Congresso responder com a sua responsabilidade assente na 25ª Emenda para proteger o povo americano de uma situação de crescente volatilidade e instabilidade galopante".
Este momento dramático na história de 250 anos dos EUA emerge de um contexto de guerra no Médio Oriente onde os EUA e Israel atacaram o Irão sem qualquer provocação ou justificação, sendo que Washington está igualmente a ferver com as crescentes denúncias de senadores e representantes de que é Israel quem comanda a política extrena norte-americana.
Esta acusação, que começou entre analistas, especialmente entre antigos militares e agentes da CIA nas redes sociais, e está agora á vita de todos no Senado e na Câmara dos Representantes, a duas câmaras do Congresso, ameaça igualmente desestabilizar todo o sistema político norte-americano, por ferir, a revelar-se verdadeiro, a Constituição na sua forma mais grave, que é a perda "por opção" da soberania nacional.
Momento semelhante já viveu, por exemplo, o anterior Presidente Joe Biden, mas o processo não foi concluído porque o Partido Republicano, hoje no poder e antes na oposição, não tinha a maioria nas duas câmaras.
A diferença é que em Novembro terão lugar as eleições intercalares e as sondagens colocam Trump nos níveis de aceitação popular mais baixos em décadas, e uma tendência consolidada para que o seu partido perca as maiorias que tem no Senado e na Câmara dos Representantes, o que, se vier a concretizar-se, abrirá de forma irreversível a porta ao impeachment de Donald Trump sem que este possa impedi-lo.














